F1

Albon evolui na Red Bull, Gasly encaixa na Toro Rosso, e duplas de 2020 se encaminham

O perdido Pierre Gasly encontrou conforto; o promissor Alexander Albon deu sinais positivos. A troca de pilotos promovida pela Red Bull parece ser um acerto já no curto prazo. Desse jeito, não há motivos para se pensar em nova mudança em 2020

Grande Prêmio / VITOR FAZIO, de Berlim
Passado o plot-twist que a Red Bull reservou para agosto, com Pierre Gasly sendo rebaixado para a Toro Rosso e Alexander Albon herdando a vaga, restava uma grande incerteza na Fórmula 1. Afinal, os pilotos seriam capazes de superar pressão e o desconhecimento em relação aos novos carros para render bem no segundo semestre? Passados quatro GPs na segunda metade do ano, já parece claro: a marca de energéticos tem todos os motivos para manter as duplas como estão para 2020.
 
A explicação é simples. Tanto Albon quanto Gasly se veem com um futuro mais brilhante em suas equipes atuais. Cada um de acordo com as realidades de primeiros semestres distintos, já que Alexander começou promissor e Pierre foi afundando. Mesmo com isso em conta, o primeiro mostrou que de fato tem algum futuro e o segundo reencontrou uma forma digna.
 
A passagem de Albon pela Red Bull ainda não tem resultados grandiosos, é verdade. Em quatro corridas, o tailandês ainda não chegou a sonhar para valer com o pódio – o que também poderia ser dito sobre Gasly. Só que as recuperações do fundo do grid, vistas na Bélgica e na Rússia, foram promissoras. O ritmo ainda é bastante deficitário na comparação com Max Verstappen, só que o tailandês parece ter mais confiança na pilotagem. As ultrapassagens foram de alto nível, principalmente em Sóchi. A tal confiança, que tanta diferença faz, nunca foi vista em Pierre, desde a pré-temporada.
Pierre Gasly foi para a Toro Rosso, onde se reencontrou (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
Por mais que ainda haja espaço para evolução em termos de resultados, começa a ficar claro que uma aposta em Albon no longo prazo deve render frutos. Talvez não a ponto de ocupar a lacuna deixada por Daniel Ricciardo ao fim de 2018, mas é a melhor aposta que a Red Bull pode fazer. Ter um piloto fora-de-série e outro promissor está longe de ser mau negócio.
 
A Toro Rosso, por sua vez, servia de plano de fundo para uma situação diferente. Gasly chegou cabisbaixo e parecia caminhar a mesma trilha de Kvyat, que murchou após o rebaixamento. O francês chegava para pilotar um carro que não conhecia direito e sendo comparado com um companheiro – o próprio Daniil – que recentemente fez até pódio. Era a receita perfeita para o gaulês ficar ainda mais queimado.
 
A surpresa que veio, foi das melhores. Gasly pontuou de imediato, na Bélgica. A dose ainda se repetiu em Singapura, com uma performance que pode tranquilamente ser considerada a melhor do ano. Por mais que Kvyat tenha conseguido performances marginalmente melhores desde a volta da F1, fica notório que Pierre voltou a ser quem já foi um dia. Um piloto capaz de converter um carro mediano em visitas frequentes à zona de pontos. Pode parecer pouco – e talvez seja –, mas qualquer coisa é motivo de celebração para quem viu a carreira ficar por um triz.
Alexander Albon ainda precisa evoluir, mas começou bem(Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
A verdade é que a mesma confiança que se nota em Albon também existe em Gasly. O francês ousa mais em ultrapassagens – independente de elas darem certo ou não. A impressão de que o grande problema de Pierre na Red Bull foi a dificuldade de adaptação a outro estilo de pilotagem começa a ficar clara dia após dia.
 
Um motivo, entretanto, independe das performances dos pilotos: o que a Red Bull alcançaria revertendo a troca após menos de seis meses? Gasly voltaria já muito questionado à Red Bull, vítima de tudo que aconteceu na passagem anterior. Albon, novamente na Toro Rosso, seria mais um com carreira manchada por uma passagem que não deu em nada numa equipe de ponta. Você pode achar que Pierre faz o suficiente para voltar ao topo, mas também há de concordar que essas trocas esquizofrênicas têm mais a ver com uma cultura imediatista do futebol do que com a gerência de uma equipe referência do esporte a motor.
 
Ao menos para 2020, só uma reviravolta daquelas seria capaz de fazer Albon e Gasly trocarem de papeis novamente. O futuro é outra história e, francamente, fica ainda mais imprevisível quando se trata de Red Bull. O que se sabe mesmo é que, no presente, só loucura justificaria uma mudança de panorama.
 

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