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Indy

Power vence, Castroneves enfrenta problemas e Dixon, quinto, conquista tricampeonato da Indy em Fontana

Tanto neozelandês quanto brasileiro chegaram a liderar a prova, e ambos enfrentaram problemas na parte final da corrida no Auto Club Speedway. No fim, porém, prevaleceu o melhor trabalho da Ganassi em relação à Penske, e o piloto da Oceania voltará a correr com o #1 em seu carro na temporada 2014, deixando o brasileiro com o tri-vice

Warm Up / HUGO BECKER, de Guarulhos

 

Quando a 250ª volta do longo GP de Fontana, última prova da temporada 2013 da Indy, foi completada, havia festa nos boxes da Penske. Mas não era para Helio Castroneves. Quem celebrou foi a turma de Will Power, que confirmou a pole-position e triunfou de forma magistral no Auto Club Speedway, neste sábado (19). A glória do australiano, no entanto, não impediu a festa maior entre a turma da vizinha Ganassi: quinto colocado na corrida, Scott Dixon levou a taça e chegou ao incontestável tricampeonato da categoria.
Dixon comemora título com a bela noiva Emma (Foto: Robert Laberge/Getty Images)
Helinho até chegou a ter, em vários momentos, uma combinação de posições a seu favor de seu primeiro título, e liderou a etapa decisiva em vários momentos. Mas não foi suficiente: a reação da Ganassi ao longo de uma prova extremamente acidentada  com apenas oito carros cruzando a linha de chegada  e os erros e problemas da Penske #3 acabaram por impedir o primeiro campeonato do brasileiro, que chegou ao tri-vice.

Ed Carpenter, em grande prova de recuperação, e Tony Kanaan, mais uma vez preciso com sua KV, completaram o pódio na Califórnia.

Confira como foi o GP de Fontana, etapa decisiva da Indy em 2013:

Além de ser realizada com filas triplas, a largada do GP de Fontana trouxe outra novidade: ao invés da tradicional bandeira verde tremulando a indicar o início da prova, desta vez a direção da Indy optou pelo uso de uma bandeira rosa, em função de outubro ser o mês de combate e prevenção do câncer de mama em todo o mundo. 
Bandeira rosa para a largada! (Foto: John Cote/IndyCar)
Com as posições organizadas, Power conseguiu desgarrar do restante do pelotão e manteve a ponta. AJ Allmendinger tentou escoltá-lo na segunda posição, mas perdeu performance ao escolher a linha de dentro e foi facilmente superado por Sébastien Bourdais, que pulou para a vice-liderança da prova. Contudo, quem se destacou mesmo foi Castroneves: com um início muito forte, pela linha de fora, o brasileiro, que havia largado em 12º, já fechou a primeira volta na sexta colocação. Mais atrás, Dixon avançou de 17º a 14º e se fixou no meio do pelotão, de forma conservadora.
 
Quem também teve bom começo foi Kanaan: em sua última prova pela KV, o baiano partiu de décimo para a quarta posição, e a partir de então se manteve sempre entre os líderes.
 
Ao mesmo tempo em que 'TK' procurava avançar, Helinho dava show mais atrás: contando com o excelente rendimento da Penske, o piloto do carro #3 precisou de apenas dez giros para superar Allmendinger, Ryan Hunter-Reay e o próprio Tony para se firmar em terceiro, já à caça do vice-líder Bourdais. O francês assumiu a liderança ao ultrapassar Power que, prontamente, facilitou a ultrapassagem de Castroneves para que este assumisse o segundo lugar.
 
As trocas de posições continuaram. O brasileiro da Penske conseguiu superar o gaulês da Dragon, mas apenas quando este caiu para a segunda posição: neste meio-tempo, Hunter-Reay, voando, passou tanto Helio quanto Séb e passou a ser o líder, na 31ª volta. 
Hunter-Reay na liderança do GP de Fontana (Foto: Chris Owens/IndyCar)
Quatro giros depois, os boxes foram abertos para a primeira rodada de pit-stops. As posições se estabilizaram, com Ryan na liderança, seguido por Castroneves, Bourdais, Kanaan e Power.
 
A primeira bandeira amarela custou a vir. Os pilotos já se preparavam para a segunda fase de troca de pneus e reabastecimento, no 71º giro, quando Pippa Mann e Sebastián Saavedra se enroscaram e acabaram tocando o muro, deixando a prova.
 
Depois de oito voltas de interrupção, a bandeira rosa voltou a dar as caras para a relargada. Kanaan, como sempre, teve excelente reinício, subindo para terceiro. Ao mesmo tempo, Castroneves, enfim, conseguiu assumir a liderança da prova ao superar Hunter-Reay após longa pressão sobre o norte-americano. Por conta do ponto extra, a primeira posição do brasileiro era fundamental na luta pelo título.

Mas ninguém queria facilitar a vida do piloto da Penske. Apenas duas voltas depois de ter pulado para a ponta, Helio foi superado por um alucinado Marco Andretti, que saiu ultrapassando todo mundo até chegar à liderança. O brasileiro deu o troco na volta seguinte, mas na 88, foi a vez do compatriota Kanaan pentelhar o piloto da Penske, também chegando à ponta. Até o novato Carlos Muñoz, que vinha em excelente atuação, se engraçou a atazanar Castroneves, chegando a andar na segunda posição.
 
A festa do colombiano, porém, acabou na volta 102, quando por uma aparente falha mecânica, perdeu a traseira e estampou o muro externo da curva 3, causando a segunda interrupção da longa corrida. As posições de momento traziam Helio na ponta, seguido por Bourdais, Kanaan, Hunter-Reay e pela dupla de 'batedores' da Penske, Allmendinger e Power, que naquele momento fechavam o top-6.
 
Quando veio a relargada, no giro 109, pouco pôde ser feito em relação à troca de posições: instantes depois, a Indy viveu um de seus 'big ones' clássicos, cujo protagonista foi Justin Wilson: ao ser ultrapassado por Graham Rahal, o inglês perdeu a frente de seu carro, espalhou e acabou atingindo de raspão o monoposto de Josef Newgarden, que vinha emparelhado com Oriol Servià. Sem escapatória, o espanhol foi prensado pelo norte-americano, enquanto Wilson rodava no meio da pista. Tristan Vautier, que vinha um pouco mais atrás e no embalo, não conseguiu parar e atingiu a Dale Coyne que estava atravessada no circuito. Simona de Silvestro e James Jakes também acabaram envolvidos.
 
O atendimento ao britânico foi demorado e gerou alguma preocupação, já que ele precisou ser removido de seu cockpit e foi encaminhado ao centro médico. Contudo, estava consciente e, de acordo com as informações preliminares, sentia dores fortes na coluna. Encaminhado de ambulância para um hospital próximo à pista, não corre riscos mais sérios.
 
Foi uma longa e cansativa interrupção, que levou muitos dos pilotos a modificarem suas estratégias. Com isso, a dupla da Ganassi, que sequer havia feito sombra à Penske até então, entrou de vez na briga, e o cenário da disputa se modificou por completo.
Helio Castroneves na liderança do GP de Fontana (Foto: Robert Laberge/Getty Images)
Com a relargada, na volta 127, Helio se manteve por alguns instantes na liderança, mas rapidamente foi superado por um inesperado Alex Tagliani, que surgiu em terceiro e fez uma ultrapassagem dupla sobre ele e Bourdais, que vinha em segundo. Castroneves continuou caindo e foi ultrapassado, quase em sequência, por Andretti e Dixon, que pela primeira vez na corrida se colocava à frente de seu rival pelo título.
 
Foi um dos piores momentos do brasileiro na prova: sua queda só parou quando ele chegou a sétimo, sendo ultrapassado inclusive por Allmendinger, um de seus companheiros de equipe, que vinha em ritmo superior. A nova situação favorecia totalmente Dixon, que chegou à segunda posição e lá se fixou por boa parte da prova, atrás do líder Power e à frente de Tagliani, então terceiro colocado. Helinho até se recuperou e se colocou em quarto, com vantagem razoavelmente confortável para Hunter-Reay, Pagenaud e Kanaan.
 
A partir daí, a corrida viveu um terceiro quarto de absoluto marasmo. Quase sem ultrapassagens e com considerável distância entre os pilotos, nem mesmo os pit-stops foram capazes de modificar o quadro naquele momento. Até que na 189ª volta, Allmendinger tratou de quebrar a monotonia batendo sozinho no muro e destruindo sua Penske #2, provocando a terceira entrada do Pace Car. Mais uma vez a favor de Dixon: o neozelandês entrava nos boxes justamente no momento em que a bandeira amarela foi acionada. Com isso, a liderança caiu nas mãos do piloto da Ganassi, com Castroneves longe, muito longe, apenas em nono.
Pit-stop de Scott Dixon (Foto: Robert Laberge/Getty Images)
Na nova relargada, porém, o brasileiro tentou se recuperar e pulou de nono a quinto, ao mesmo tempo em que Power recuperava a liderança. Quando chegou ao quarto lugar, no entanto, Helinho ficou preso atrás de Kimball, grande algoz do piloto #3 neste sábado. Mas antes que pudesse se livrar do norte-americano, uma Ganassi vermelha apareceu rodando pela pista. Susto: era Tagliani, que perdeu a traseira, tocou no muro e abandonou a prova.
 
Neste momento, a Penske cometeu um erro capital: chamou Castroneves para trocar pneus e reabastecer com os boxes ainda fechados. O brasileiro passou reto, lento, pelo pit-lane, e teve que retornar no giro seguinte, junto com o restante do pelotão. O equívoco foi só o primeiro de uma série de azares trocados entre Helinho e Dixon no quarto final do GP.
 
O momento da decisão se aproximava cada vez mais. Na volta 215, a flâmula rosa-bebê foi novamente agitada. Power estava na liderança, mas com duas Ganassi no cangote: Kimball, grande escudeiro, partiu para cima do australiano, por fora, com Scott, o beneficiado, por dentro. Ensanduichado, Will não conseguiu evitar ser superado pelo carro #9. Mais atrás, porém, Castroneves vinha voando baixo, e subitamente surgiu por fora, na linha de cima, tentando a ultrapassagem sobre o duo ganassiano. 
 
Neste duelo, Dixon preferiu se recolher e deixou a seu companheiro de equipe a missão de se defender de Helinho. Foi um longo e bonito duelo, roda a roda, por várias e várias voltas. Até mesmo Bourdais entrou na briga, superando os três e liderando por alguns momentos. A disputa estava totalmente aberta – tanto pela vitória, quanto pelo título.
 
Quase todos eles, no entanto, tiveram um desfecho melancólico. O primeiro foi o próprio Castroneves. Depois de reverter o erro da Penske com sua pilotagem, o piloto #3 sofreu um problema no aerofólio dianteiro, que apareceu solto e balançando para cima e para baixo no vácuo de Hinchcliffe, após rápido duelo. O longo pit-stop para a troca da asa, com bandeira verde, fez com que Helio perdesse uma volta e virasse retardatário.
O bico do carro de Castroneves, que quebrou no fim da prova (Foto: Chris Owens/IndyCar)
Restando 21 voltas para o fim, foi a vez do empolgado Bourdais se perder no vácuo de Power, guinar para a direita e bater sozinho no muro, dando adeus à corrida. JR Hildebrand, que chegou a andar na segunda posição, abandonou com problemas mecânicos, quase ao mesmo tempo em que o motor Honda de Kimball abriu o bico em plena reta e causou nova amarela.
 
Faltavam apenas oito voltas. Restavam apenas oito carros na pista.
 
Dixon, que também sofria com problemas de super-aquecimento, vinha em quinto, como o último piloto na mesma volta do líder, Power, que havia recuperado a ponta no meio de todo esse furdunço. Somente um milagre daria a Castroneves, sexto e com uma volta de atraso, o primeiro título de sua carrreira. Mas era tarde demais: o milagre não veio.
 
Com isso, Power chegou à terceira vitória na temporada, resgatando o triunfo que ele próprio deixou escapar em 2012, quando uma primeira posição lhe daria o título inédito na Indy. Ed Carpenter, sobrevivente, chegou em segundo, com Kanaan em terceiro. Hinchcliffe foi quarto e Dixon, quinto. Aos 33 anos e três meses, com 33 vitórias na carreira, o piloto da Ganassi levou o dono do carro #3 ao terceiro vice e ficou com o tri da categoria.
 
Um título merecido, incontestável e que, certamente, está em ótimas mãos.
 

Indy 2013, GP de Fontana, Auto Club Speedway, Final:

1 Will POWER AUS Penske Chevrolet   250 voltas
2 Ed CARPENTER EUA Carpenter Chevrolet +1.488  
3 Tony KANAAN BRA KV Chevrolet +1.861  
4 James HINCHCLIFFE CAN Andretti Chevrolet +3.039  
5 Scott DIXON NZL Ganassi Honda +15.875  
6 Helio CASTRONEVES BRA Penske Chevrolet +1 volta  
7 Marco ANDRETTI EUA Andretti Chevrolet +2 voltas  
8 Simona DE SILVESTRO SUI KV Chevrolet +3 voltas  
9 Ryan HUNTER-REAY EUA Andretti Chevrolet +8 voltas  
10 Charlie KIMBALL EUA Ganassi Honda 238 voltas NC
11 JR HILDEBRAND EUA Bryan Herta Honda 237 voltas NC
12 Sébastien BOURDAIS FRA Dragon Chevrolet 229 voltas NC
13 Simon PAGENAUD FRA Schmidt Honda 217 voltas NC
14 Alex TAGLIANI CAN Ganassi Honda 209 voltas NC
15 Graham RAHAL EUA RLL Honda 200 voltas NC
16 AJ ALLMENDINGER EUA Penske Chevrolet 188 voltas NC
17 Takuma SATO JAP Foyt Honda 144 voltas NC
18 Justin WILSON ING Dale Coyne Honda 110 voltas NC
19 Oriol SERVIÀ ESP Panther Chevrolet 110 voltas NC
20 Josef NEWGARDEN EUA Fisher Hartman Honda 110 voltas NC
21 Tristan VAUTIER FRA Schmidt Honda 110 voltas NC
22 James JAKES ING RLL Honda 110 voltas NC
23 Carlos MUÑOZ COL Andretti Chevrolet 100 voltas NC
24 Sebastián SAAVEDRA COL Dragon Chevrolet 69 voltas NC
25 Pippa MANN ING Dale Coyne Honda 68 voltas NC