Seis meses após acidente em Mojave, Zanol segue em recuperação e avisa: “Logo estarei de volta”
Pouco mais de seis meses após o grave acidente sofrido no deserto de Mojave, Felipe Zanol segue realizando sessões de fisioterapia para retomar a antiga forma. Piloto mineiro ainda não tem planos de voltar às pistas, mas descarta abandonar o esporte
Felipe Zanol desembarcou no Rali Dakar pela primeira vez na edição de 2012. Apoiado pelo braço brasileiro da KTM, o piloto mineiro brilhou em sua prova de estreia e após cumprir os 14 estágios entre Mar Del Plata, na Argentina, e Lima, no Peru, encerrou sua participação com um décimo lugar, 3h25min56s atrás de Cyril Després, o campeão.
Com o bom desempenho em sua primeira participação, as expectativas para 2013 eram altas. Desta vez, Felipe participaria da prova como integrante da poderosa Honda, que montou uma equipe de cinco pilotos para competir nas 14 especiais entre Lima, no Peru, e Santiago, no Chile.
Às vésperas da prova, a HRC levou Zanol, Helder Rodrigues, Sam Sunderland, Johnny Campbell e Javier Pizzolito ao deserto de Mojave, na Califórnia, para um último teste, que tinha como objetivo trabalhar na durabilidade da moto e no acerto da suspensão da CRF 450 Rally.
O que era para ser um exercício final antes do grande desafio do Dakar se transformou um pesadelo. No dia 4 de dezembro, pouco mais de um mês antes da largada do maior rali do mundo, Felipe sofreu uma forte queda de sua CRF 450 Rally durante os testes próximos a cidade de Barstow, localizada a 185 km de Los Angeles.
Transportado de helicóptero para o Loma Lida University Medical Center, referência em traumas graves na região, o mineiro foi colocado em coma induzido, mas permaneceu desacordado mesmo após a suspensão da medicação. Nove dias após o acidente, Zanol acordou e reconheceu a esposa, Luciana, e o amigo e mecânico Ricardinho, que viajou para vê-lo.
Depois de um longo processo de recuperação no hospital californiano, Zanol foi liberado para voltar para casa e desembarcou no Brasil no dia 24 de janeiro. Em Minas Gerais, sua terra natal, Felipe continuou em tratamento e agora dá pequenos passos rumo ao retorno às pistas.
Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Zanol contou que não se lembra do acidente, mas comentou que teve muita sorte por ter sido tratado em um bom hospital.
“Não me lembro de nada”, contou o mineiro. “Aliás, algumas memórias recentes se foram, mas de coisas importantes eu me recordo”, continuou.
“A sorte é que tive o acidente e fui tratado por um bom hospital, isso realmente fez a diferença”, destacou. “Agora, lembrar algo, não me lembro de muita coisa, só alguns detalhes”, reforçou.
Apesar do intenso tratamento, Felipe ainda não retomou seu ritmo de vida anterior ao acidente, mas segue confiante que logo voltará às competições. “Me sinto bem”, falou. “Meu ritmo normal era diferente, sempre com exercícios físicos, moto e viagens. Ainda não retornei ao meu ritmo, mas logo estarei de volta às corridas. Minha vida segue normalmente com muita fisioterapia e fortalecimento”, completou.
Desde o acidente nos Estados Unidos, Felipe recebeu inúmeras demonstrações de carinho, tanto de fãs como de rivais e companheiros do motociclismo. Pizzolito, por exemplo, disputou o rali deste ano com um adesivo escrito ‘Fuerza Zanol’ em sua moto.
“Estou aqui hoje pelas orações que muita gente fez”, declarou. “Encaro a minha vida como um desafio e podem ter certeza que Deus não nos dá um desafio que não somos capazes. Agradeço a todos pela força que me deram e continuam dando.”
Questionado sobre quais são as pessoas que tiveram um papel fundamental em sua recuperação, Felipe respondeu: “Com certeza meus pais, minha esposa e um amigo que considero irmão. Eles foram e estão sendo fundamentais até hoje”.
Afastado das pistas, Zanol segue sendo apoiado pela Red Bull, uma de suas principais patrocinadoras, mas ainda negocia seu contrato com a Honda, que vai para o Dakar de 2014 com Rodrigues, Sunderland e Pizzolito, e com os recém-chegados Joan Barreda e Paulo Gonçalves.
“A Red Bull continua me apoiando e não mediu esforços para que estivesse de volta aqui”, contou ao GP. “Quanto à Honda, estamos negociando meu contrato ainda. Me apoiou muito quando precisei”, ressaltou.
Perguntado sobre seus planos para o futuro, Zanol afirmou que ainda não pensou em voltar a competir, mas garantiu que desistir do esporte nunca passou pela sua cabeça.
“Ainda não pensei a voltar a competir, mas creio que isso irá acontecer no futuro. Minha expectativa é ficar 100% fisicamente, com isso já estarei realizado pessoalmente, mas sei que novos objetivos podem surgir e estou pronto para eles”, garantiu. “Pensei várias vezes que não conseguiria voltar, mas desistir nunca se passou pela minha cabeça. Isso já passou e acredito que logo estarei de volta”, completou.
Apesar de ter uma carreira repleta de triunfos – com 13 títulos nacionais de enduro e cross-country –, Felipe disse que ainda tem muitos sonhos para realizar, mas que já conseguiu sua realização no esporte.
“Sonhos temos muitos, mas já me sinto realizado no esporte”, afirmou. “Ganhei o que muitos não imaginavam ser possível, mas permanece a vontade de estar no esporte e incentivar novos talentos”, seguiu.
“Minha inspiração é pessoal de me superar a cada desafio e tenho certeza que muitos ainda virão”, encerrou.
Há poucos dias, o piloto mineiro foi anunciado como consultor técnico em produtos e competições da Rinaldi, uma fábrica gaúcha de pneus e câmaras de ar.
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