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Rali

Alonso vai para descanso com “boas sensações”, mas vê pódio “difícil” no Dakar

Fernando Alonso fez um balanço da sua primeira semana como piloto no Dakar. Depois de terminar a sexta etapa, realizada nesta sexta-feira (10), na 6ª colocação, o espanhol — que conta com Marc Coma como navegador — se mostrou bastante satisfeito com o que alcançou até agora, ficou surpreso com o bom ritmo nas dunas e exaltou o líder da prova e compatriota, Carlos Sainz. 16º na classificação geral, Alonso vê difícil terminar uma etapa no top-3

Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré
Fernando Alonso vai partir para o dia de descanso do Rali Dakar, neste sábado, em Riad, feliz com o que alcançou até agora. O bicampeão mundial de F1 faz sua estreia no maior rali do mundo com a Toyota e, até o momento, vai mostrando boa performance com o Hilux #310 ao lado do seu navegador, o multicampeão Marc Coma. Alonso e Coma faturaram três top-10 nas seis primeiras etapas da prova, mas sofreram com o duro revés no segundo dia de competição, quando perderam mais de 2h30min por conta de uma quebra da suspensão, ocasionada pelo impacto em uma pedra. A dupla está em 16º lugar na classificação geral, 3h18min13s atrás do líder, Carlos Sainz.
 
Aliás, sobre Sainz, Alonso rasgou elogios depois de terminar a sexta etapa da prova, nesta sexta-feira (10), na 6ª colocação.
 
“Ele é espetacular, mas não há nenhuma surpresa nesse sentido. Sabemos que Carlos é dos melhores, ou talvez o melhor que está aqui, e eu estou muito feliz por ele estar liderando. Falta a metade, mas ele tem tudo às mãos. Quando ele larga na frente, faz primeiro ou segundo e quando larga atrás ele recupera muito tempo. Se tudo seguir dando certo e se o carro o respeitar, acho que ele está em um bom caminho”, disse o piloto durante entrevista veiculada pelo jornal espanhol 'Mundo Deportivo.
Fernando Alonso está bastante satisfeito com sua primeira participação no Dakar (Foto: Toyota Gazoo Racing)
Nesta sexta-feira, Alonso terminou atrás de grandes nomes do Dakar. Stéphane Peterhansel foi o mais rápido, seguido pelo líder geral, Carlos Sainz. Nasser Al-Attiyah, último vencedor da prova, foi o terceiro, seguido pelo saudita Yazeed Al Rajhi. 
 
O francês Mathieu Serradori, uma das surpresas da prova, foi o quinto, seguido então por Alonso, que superou outros três nomes fortes do rali: Bernhard Ten Brinke, Giniel de Villiers e Orlando Terranova, sétimo, oitavo e nono, respectivamente.
 
Ao falar sobre o dia como um todo, Alonso demonstrou muita satisfação. “A verdade é que hoje correu tudo bem outra vez. Boas sensações e bom ritmo. Fomos rápidos, sextos, outra vez no top-6. Tirando os três carros que estão à frente, que estão em outra liga, ser o terceiro dos Toyota tem sido uma boa surpresa. Não tivemos problemas, furos de pneus, nada. Esses dois últimos dias nos deram um bom gosto na boca para o dia de descanso”, disse.
 
Fernando ressaltou a visibilidade como um fator de suma importância no seu primeiro Dakar.
 
“Como disse nos primeiros dias, a visibilidade é fundamental. Se temos uma boa visibilidade, sempre somos constantes, no ritmo dos líderes, mas se largamos muito atrás há muita poeira, e há alguns waypoints nos quais tivemos de levantar muito o pé, ou então algum furo de pneu e, quando somos ultrapassados, voltamos à poeira”, explicou.
 
“Em 500 km há muitas coisas acontecendo. Fico feliz por ter quatro dias bons e o segundo regular depois do problema que tivemos. Mas, no geral, temos bom ritmo, estamos confiantes e melhorando pouco a pouco”, continuou o espanhol.
 
Mesmo satisfeito com o desempenho no geral, Alonso lembra: cada dia é um novo aprendizado. “É tudo novo para mim. Em nível de pilotagem você tem desafios diferentes, como o comportamento do carro no começo e no fim [da especial]... Você sai com mais de 400 L de gasolina e termina com 30 ou 40 L, de modo que há uma diferença enorme”, comentou.
 
“Você pilota em terrenos com areia, com pedra, no asfalto... de modo que o nível de aderência é muito inconstante, o que te faz se adaptar a cada quilômetro. A visibilidade... Foram seis etapas nas quais tivemos de enfrentar um pouco de tudo e cada um desses desafios é novo para mim, mas tento aprender o mais rápido possível”, disse o piloto.
 
Ao mesmo tempo em que aprende a cada dia, Alonso vai ganhando confiança a cada etapa e vai aprendendo a impor o próprio ritmo, permitindo-se acelerar um pouco mais que o previsto e, assim, correr mais riscos.
Fernando Alonso rasgou elogios ao compatriota e líder do Dakar, Carlos Sainz (Foto: DPPI)
“O primeiro dia serve sempre para você entrar em contato [com a prova]. Tínhamos na mente passar duas ou três etapas sem nenhum incidente, com um ritmo de 70 a 80% para não cometer erros, e assim foi, mas tivemos um contratempo mesmo estando devagar. E nos últimos dias em que não tivemos isso em mente e fomos no nosso ritmo, tudo saiu muito melhor. Você nunca sabe o que é se arriscar mais, se é estar a 90 ou a 70%”, afirmou Alonso.
 
Terreno predominante do Dakar 2020, as dunas têm sido um desafio apreciado pelo espanhol, que tem ao seu lado um navegador com muita experiência neste tipo de terreno, com passagem vitoriosa nas dunas do Saara e do Atacama.
 
“Não sei o motivo, mas encontro um melhor ritmo nas dunas. Marc, com sua experiência nas dunas, vai sempre me aconselhando, ele vai entendendo também como vai a prova, quais são as dunas nas quais você tem de reduzir o ritmo e nas quais dá para subir mais. Nas pedras, os Toyota tiveram muitos problemas nesta primeira semana, tivemos dois ou três pneus cada um todos os dias, e isso tem sido uma punição muito grande, sobretudo se você larga atrás”, explicou.
 
Por fim, Alonso deixou claro que vê o pódio de uma etapa como algo pouco provável por conta do ótimo ritmo dos líderes. Na última terça-feira, Fernando ficou perto ao finalizar a jornada na quarta colocação.
 
“Vamos ver o quão dura é essa segunda semana. Dizia, no começo do Dakar, que a posição diria depender um pouco da dureza da prova. Acompanhei muitas edições do Dakar pela TV e num dia um perdia 40 minutos, no outro dia alguém quebrava o câmbio, no outro dia era a direção hidráulica... Sempre havia diferenças de horas de um dia para o outro e, neste Dakar, não está acontecendo nada no momento entre os seis primeiros”, disse.
 
“Se as coisas começarem a acontecer na segunda semana e estivermos com esse ritmo, rapidamente vamos recuperar duas ou três posições em uma etapa e você termina em um top-3, mas se não acontecer nada à frente é difícil”, completou.
 
O Dakar descansa neste sábado e volta a acelerar domingo entre Riad e Wadi Al Dawasir, com trecho cronometrado de 546 km.

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