MotoGP

Em prova de duas partes na Holanda, Miller vence e encerra domínio dos times de fábrica no topo do pódio da MotoGP

A chuva tornou a MotoGP um caos, e viu Jack Miller encerrar um longo jejum de vitórias de equipes satélites com um triunfo em Assen. Com Jorge Lorenzo fora do top-10 e Valentino Rossi no chão, Marc Márquez evitou riscos desnecessários e ficou com o segundo posto, à frente de Scott Redding

Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo
Jack Miller conseguiu o improvável. Dono de uma performance bastante aquém da moto que tem nas mãos, o australiano subiu ao topo do pódio neste domingo (26), dando à vitória a uma equipe satélite pela primeira vez desde que Toni Elías triunfou no Estoril em 2006.
 
O jovem australiano tem contrato direto com a Honda, mas corre pela satélite Marc VDS, que chegou à classe rainha do Mundial de Motovelocidade em 2015.
Jack Miller venceu pela primeira vez na MotoGP (Foto: Marc VDS)
A CLASSIFICAÇÃO DA MOTOGP
Márquez volta a abrir vantagem

A corrida da Holanda foi um tanto caótica por conta da chuva. Depois de 14 voltas, a prova teve de ser paralisada por conta do acúmulo de água na pista, mas foi retomada depois de uma melhora no clima.
 
Favoritos à vitória, Andrea Dovizioso e Valentino Rossi sucumbiram às condições, abrindo caminho para a vitória de Marc Márquez. Pressionado por Miller, o líder do Mundial acabou batido, mas fez as contas e viu que o risco não valia a pena. Assim, o #93 ficou confortável na segunda colocação.

Nos instantes finais da disputa, Scott Redding conseguiu tomar de Pol Espargaró o último lugar do pódio, dando pelo menos algum consolo para a Ducati, que esteve próxima de conquistar sua primeira vitória desde 2010.
 
Andrea Iannone chegou a cair na primeira ‘tomada’ do filme de Drenthe, mas conseguiu voltar para a segunda chance e acabou em quinto, à frente de Héctor Barberá.
 
Eugene Laverty colocou a Aspar na sétima colocação, seguido por Stefan Bradl e Maverick Viñales.
 
Apesar da terrível performance nas duas partes da corrida deste domingo, Jorge Lorenzo conseguiu se manter na moto e ficou com o décimo posto, à frente de Tito Rabat, Dani Pedrosa e Bradley Smith, os três últimos a ver a bandeirada mesmo após terem caindo.
 
Com o resultado deste domingo, além de interromper o domínio das fábricas no topo do pódio, Miller é também o primeiro australiano a vencer na classe rainha desde Casey Stoner em 2012. O #43 foi uma aposta arriscada da Honda, que o promoveu direto da Moto3.

Não que seja necessário, mas o triunfo de Miller teve um bônus extra: coube a ele a missão de vencer a corrida de número 250 da história da MotoGP.
 
O segundo posto em Assen serviu para Márquez ampliar para 24 pontos sua vantagem em relação a Lorenzo na classificação do Mundial. Rossi segue em terceiro, agora 42 pontos atrás.
 
Saiba como foi o GP da Holanda de MotoGP:
 
O clima decidiu brincar com a MotoGP. Depois de antecipar o fim da Moto2, a chuva caiu para valer e ensopou o Circuito de Drenthe, mas parou antes da formação do grid, o que deixou os pilotos com muitas dúvidas: pneus intermediários? Pneus de chuva? Deixo uma moto acertada para piso seco?
 
Mas a temperatura, certamente, não seria um fator para acelerar a secagem do asfalto. Antes da largada, os termômetros marcavam 16°C, com o piso chegando a 20°C. Os ventos sopravam a uma velocidade de 8 km/h.
 
Em sua 150ª largada na MotoGP, Andrea Dovizioso parte na pole, à frente de Valentino Rossi, que está na primeira fila pela quinta vez no ano. É a primeira vez desde o GP da Comunidade Valenciana de 2014 que dois italianos ocupam a ponta do grid.
 
Terceiro no grid, Scott Redding completa a primeira fila, que não tem um espanhol pela primeira vez desde Mugello em 2011. Líder do Mundial, Marc Márquez tem o quarto posto. Jorge Lorenzo sai em décimo — sua pior classificação desde o 12º posto no grid da Holanda em 2013, quando fraturou a clavícula. Dani Pedrosa vem em 15º, em seu pior resultado desde o GP da Turquia de 2006, sua terceira prova na classe rainha.
 

Para este domingo, a Michelin disponibilizou os pneus dianteiros macios, médios e duros, e traseiros assimétricos médios e duros. Além disso, os pilotos também tinham compostos intermediários e de chuva macios e duros.
 
Por conta das condições de pista, os pilotos se apressaram a deixar os boxes, uma vez que queriam dar o maior número de voltas de instalação possível para verificar as condições do asfalto. Ao formar o grid, Danilo Petrucci afirmou que a pista estava realmente ensopada.
 
Por razões óbvias, a direção de prova anunciou que era uma corrida em piso molhado, uma exigência regulamentar que serve para orientar os pilotos. Nesse caso, quer dizer que eles estão liberados para o flag-to-flag caso o asfalto seque. Ao contrário das classes menores, a corrida da MotoGP não é interrompida nessas condições, já que os competidores contam com uma moto reserva.
 
O trio da primeira fila optou por largar com pneus de chuva macios na dianteira e duros atrás, com exceção de Redding, que colocou o composto mais mole também na traseira. Com o piso bem molhado, ninguém se arriscou com os slicks.
 
No momento em que as luzes se apagaram na reta de Assen, as mais de cem mil pessoas que lotaram o traçado viram Redding saltar para a ponta, à frente de Rossi, Dovizioso e Crutchlow.
 
Sem demora, Valentino assumiu a ponta num erro de Scott na curva um, à frente de Dovizioso. Aleix vinha em terceiro, seguido por Márquez e Lorenzo. Pol era o sexto, com Redding aparecendo em sétimo.
 
Uma vez na ponta, Rossi abriu 0s274 de margem para Dovizioso, mas as condições exigiam muito cuidado. Aleix seguia em terceiro, à frente de Hernández, Márquez, Lorenzo e Pedrosa.
 
Aleix não demorou a recuperar o terceiro posto das mãos de Yonny, voltando à terceiro posição.
 
Enquanto isso, Rossi ia tentando escapar, chegando a levar a vantagem para 0s4. Atrás, Hernández voltou a atacar e recuperou o terceiro posto, com Aleix tendo de se defender de Márquez.
 
Largando em último por conta de uma punição, Iannone logo escalou o pelotão e já vinha em sétimo no fim da segunda volta, à frente de Lorenzo.
Jack Miller passou Marc Márquez para vencer (Foto: Marc VDS)
Sem muito a perder, Hernández atacou Dovizioso e subiu para a segunda colocação, logo cortando a vantagem de Rossi. Do jeito que veio, o colombiano passou. O titular da Aspar era quase 1s mais rápido que o #46.
 
Com um ritmo fortíssimo, Yonny logo se afastou do multicampeão, que também abriu em relação a Dovizioso. Márquez era o quarto, seguido por Pedrosa, Petrucci, Iannone, Aleix, Redding e Miller. Lorenzo era 14º.
 
Danilo logo bateu Dani pelo quinto posto, com o #26 sendo superado por Iannone pouco depois. Redding era o oitavo, 0s871 atrás do titular da Honda.
 
Mesmo com as condições bastante difíceis, Hernández seguia em ritmo forte, abrindo mais de 2s de vantagem para Rossi. Dovizioso, por sua vez, vinha 0s446 atrás do multicampeão.
 
Mais atrás, Petrucci também seguia sua escalada. O italiano passou Márquez e assumiu a quarta colocação, deixando o líder do Mundial para se defender de Iannone.
 
O #29 chegou a passar o bicampeão, mas Márquez não demorou muito para devolver. Na contramão do piloto de Cervera, Pedrosa só fazia cair e era o oitavo depois de ser superado por Redding. Lorenzo ia ainda pior: 18º.
 
No quinto giro, Dovizioso apertou o passo e reduziu para 0s1 a vantagem de Rossi, mas os dois voltaram a se afastar. Valentino tinha de pensar no Mundial e Andrea precisava pensar na pontuação, bastante prejudicada por uma série de infortúnios. Era hora de ter cuidado.
 
Sem chuva, o Circuito van Drenthe começou a ter trilhos seco no asfalto. Nos boxes, as motos já estavam todas prontas para um flag-to-flag caso alguém decidisse se arriscar com os slicks.
 

No sétimo giro, Rossi fez a melhor volta da corrida — 1min49s156 —, mas Dovizioso seguia perto.
 
Nos boxes, os mecânicos já tratavam de aquecer as motos. A pista secava cada vez mais rápido e não parecia que levaria muito tempo antes das primeiras mudanças.
 
Enquanto isso, Hernández já tinha 2s296 de vantagem para Rossi, que vinha 0s456 à frente de Dovizioso. Petrucci era o quarto, à frente de Iannone, Márquez, Redding, Miller, Crutchlow e Pedrosa. Lorenzo era 18º.
 
Depois de um início de prova bem ruim, Viñales começava a escalar o pelotão e aparecia em 14º, 2s9 atrás de Pol, o 13º.
 
No oitavo giro, Rossi, enfim, conseguiu um respiro de Dovizioso e abriu mais de 1s e vantagem. Petrucci já tinha 0s8 de atraso para Andrea.
 
O #04 demorou quase nada para reagir e voltou a se aproximar, levando a diferença para 0s5.
 
No nono giro, as bandeiras de chuva voltaram a aparecer. Hernández vinha 3s8 à frente de Rossi, que tinha Dovizioso 0s148 atrás.
 
Não era difícil entender a razão de ninguém ter parado. As nuvens negras cobriam o céu de Assen com vontade.
 
Na abertura do décimo giro, Dovizioso conseguiu passar Rossi e assumir a segunda colocação. A chuva já era bem mais forte. 
 
Assim que passou, Dovizioso diminuiu para 2s7 a margem de Iannone e abriu 1s4 para Rossi. Na frente de Márquez e Lorenzo, o piloto da Yamaha já estava em vantagem.
 
No 11º giro da disputa, o sonho de Hernández de faturar a primeira vitória de um piloto satélite desde o triunfo de Toni Elías no Estoril caiu por terra, com um tombo na curva 1.
 
Com 15 voltas para o fim e uma chuva bem mais forte, Dovizioso tinha a liderança, 1s380 à frente de Rossi. Petrucci era o terceiro, à frente de Redding, Iannone, Márquez, Crutchlow, Pedrosa, Miller e Pol. Lorenzo era 20º.
 
Terceiro, Pedrosa ia tentando encostar em Rossi e chegou a levar a diferença para 0s1, mas viu aumentar para 0s5 pouco depois.
 
Nos boxes, as equipes voltaram as motos para a configuração de chuva, já que tinham de estar prontas para o caso de alguém precisar de pneus novos.
 
Depois da queda, Hernández foi aos boxes para trocar de moto e voltou para a pista. Uma pena a queda do colombiano.
 
Na ponta, Rossi voltou a se aproximar de Dovizioso, mas acabou sendo ultrapassado por Petrucci.
 
Quem não teve tanta cautela foi Iannone, que escorregou ao perder a traseira da Desmosedici e caiu na curva 2. Ileso, o italiano voltou para a pista.
 
Na curva sete, Rossi passou Petrucci e voltou para a segunda colocação, mas foi superado de novo pouco depois. Enquanto isso, Dovizioso ia ficando cada vez mais perto. Assim como Redding. Quarto, Márquez tinha 3s6 de atraso.
 
Assim que chegou, Scott não demorou muito para passar, tirando Rossi do pódio. O italiano respondeu pouco depois e voltou ao terceiro posto.
Valentino Rossi abandonou em Assen (Foto: Yamaha)
Hernández, aliás, não conseguiu seguir na prova e caiu mais uma vez.
 
Na 14ª volta, Petrucci passou Dovizioso e assumiu a ponta, abrindo 0s4 logo de cara. Rossi era terceiro, seguido por Redding, Pedrosa e Márquez.
 
Com 12 giros para o fim, a direção de prova lançou mão da bandeira vermelha, para paralisar a corrida. 
 
A direção de prova tomou a decisão de parar a corrida por conta do volume de água acumulado na pista. A expectativa era por uma melhora no clima para que a corrida pudesse ser retomada para 12 voltas.
 
Se a corrida for reiniciada, o grid será formado pela posição que os pilotos tinham na 14ª volta, a última que foi feita por completo. Assim, a pole seria de Dovizioso, à frente de Petrucci, Rossi, Redding, Márquez, Pedrosa, Crutchlow, Miller, Pol Espargaró e Bautista.
 
Após alguns minutos de paralisação, a notícia no paddock era de que a chuva começava a diminuir. Aí seria apenas questão de esperar o escoamento da água.
 
Com a prova parada, a direção de prova conseguiu se atentar a um outro detalhe: a YZR-M1 #46 não estava com a luz de chuva ligada. O regulamento da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) exige que a luz esteja ligada em condições de chuva ou pouca visibilidade, mas não há punição em caso de falha técnica.
 
Às 10h (de Brasília), os boxes foram reabertos e os pilotos partiram para novas voltas de instalação. No grid, todos com um par de pneus de chuva macios.
 

Nesta segunda ‘tomada’, Márquez saiu bem, mas não conseguiu se manter na ponta,. Dovizioso retomou a frente, seguido por Rossi. Marc era o terceiro, acompanhado por Petrucci, Crutchlow, Miller, Pedrosa, Pol, Redding e Smith. Lorenzo subiu para 13º.
 
Ainda no primeiro giro, Rossi passou Dovizioso e assumiu a liderança. Pouco antes, Pedrosa escorregou e caiu na curva nove. Minutos depois, foi Crutchlow quem foi ao chão.
 
Enquanto isso, Rossi abriu 0s444 de margem para Dovizioso, que vinha 0s7 à frente de Márquez.
 
Pouco depois, Petrucci abandonou a disputa, seguido por Smith, que caiu.
 
Instantes mais tarde, foi Dovizioso quem decidiu verificar a brita de perto. Segundo na corrida, o italiano caiu na Meeuwenmeer e abandonou.
 
Líder, Rossi passou a ter 2s458 de margem para Márquez. Miller vinha num surpreendente terceiro posto, seguido por Pol. Redding, Bautista, Rabat, Iannone, Bradl e Laverty.
 
Em seguida, foi Rossi quem foi ao chão. O italiano vinha na ponta e caiu na Mandeveen.
 
Assim, Márquez assumiu a ponta, com Miller em segundo, à frente de Pol Espargaró. Redding era o quarto, seguido por Bautista e Iannone.
Jack Miller, Marc Márquez e Scott Redding formaram o pódio deste domingo (Foto: Divulgação/MotoGP)
Aleix Espargaró foi solidário e se juntou a lista de caídos na curva 11. Rossi fez o que pode para voltar, mas não conseguiu fazer a M1 funcionar.
 
Na ponta, Miller passou Márquez e assumiu a ponta, de cara abrindo vantagem. Terceiro, Pol tinha 3s5 de atraso para o #93.
 
Assim que tomou a ponta, Miller abriu mais e mais, chegando a sustentar 0s8 de margem. Com os rivais pelo título bem longe, Márquez vinha cuidadoso. Era mesmo hora da versão 2.0 entrar em ação.
 
Com oito voltas para o fim, Rabat foi ao chão, mas conseguiu voltar para tentar somar uns pontinhos.
 
Nos metros finais, Redding passou Pol para tomar o último posto do pódio.
 
MotoGP, GP da Holanda, Assen, Final:
 
1 43 JACK MILLER AUS MARC VDS HONDA 22:17.447 12 voltas
2 93 MARC MÁRQUEZ ESP HONDA +1.991  
3 45 SCOTT REDDING ING PRAMAC DUCATI +5.906  
4 44 POL ESPARGARÓ ESP TECH3 YAMAHA +9.812  
5 29 ANDREA IANNONE ITA  DUCATI +17.835  
6 8 HECTOR BARBERÁ ESP AVINTIA DUCATI +18.692  
7 50 EUGENE LAVERTY IRL ASPAR DUCATI +22.605  
8 6 STEFAN BRADL ALE APRILIA GRESINI +23.603  
9 25 MAVERICK VIÑALES ESP SUZUKI +26.148  
10 99 JORGE LORENZO ESP YAMAHA +27.604  
11 53 TITO RABAT ESP MARC VDS HONDA +1:21.830  
12 26 DANI PEDROSA ESP HONDA +1:54.369  
13 38 BRADLEY SMITH ING TECH3 YAMAHA +3 voltas  
  19 ÁLVARO BAUTISTA ESP APRILIA GRESINI NC  
  51 MICHELE PIRRO ITA AVINTIA DUCATI NC  
  46 VALENTINO ROSSI ITA YAMAHA NC  
  41 ALEIX ESPARGARÓ ESP SUZUKI NC  
  4 ANDREA DOVIZIOSO ITA DUCATI NC  
  9 DANILO PETRUCCI ITA PRAMAC DUCATI NC  
  35 CAL CRUTCHLOW ING LCR HONDA NC  
  68 YONNY HERNÁNDEZ COL ASPAR DUCATI NL  
             
POLE ANDREA DOVIZIOSO ITA DUCATI 1:45.246 155.3  km/h
VOLTA MAIS RÁPIDA DANILO PETRUCCI ITA PRAMAC DUCATI 1:48.339 150.9 km/h
RECORDE MARC MÁRQUEZ ESP HONDA 1:33.617 174.6 km/h
MELHOR VOLTA VALENTINO ROSSI ITA YAMAHA 1:32.627 176.5 km/h
             
    Condições do tempo   PISTA NOLHADA   ar: 15ºC | pista: 19ºC



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