Indy

Andretti supera Penske, mas Dixon é quem sofre a grande derrota do sábado em Lexington

Com Alexander Rossi na ponta, Andretti e Penske dominam completamente as duas primeiras filas do GP de Mid-Ohio enquanto Scott Dixon parte apenas em nono e com um ritmo muito mais lento. É verdade que a Andretti - e a Honda - conseguiram fazer Lexington ser pista de rua e superaram a Penske, mas o time de Roger segue na briga. Quem tem uma ameaça muito grande contra si é o cinco vezes vencedor da corrida Dixon

Warm Up / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
O que havia sido desenhado na sexta-feira engatou de vez neste sábado (28): a Penske foi superada no treino que definiu o grid de largada para o GP de Mid-Ohio da Indy. Novamente Will Power até passou relativamente perto, mas não foi capaz de conter a Andretti de Alexander Rossi. O piloto norte-americano dominou o Fast Six e, com 1min04s680, liderou por 0s214.
 
Mesmo com certa derrota na queda de braço apresentado contra a rapa da Honda, a Penske reforçou que está no páreo do traçado misto com cara de rua de Lexington. Desta feita, ainda que não tenha sido o que se imaginava no princípio do fim de semana, não foi Roger Penske o grande derrotado do dia. Além de Power em segundo, Josef Newgarden parte em quarto - Simon Pagenaud sai em 17º, mas isso vai mais na conta da temporada horrível do campeão de 2016 do que necessariamente no carro verde-limão.
 
Não, o grande derrotado do dia é o tetracampeão e líder em busca do penta. Scott Dixon larga em nono, mas vê no carro da Ganassi o elo mais fraco da batalha dianteira. A Andretti, que tem Rossi na pole e Ryan Hunter-Reay em terceiro e a própria Penske monopolizam as duas primeiras filas e mostram que podem mais. A RLL colocou Graham Rahal em sétimo e Takuma Sato em oitavo e a SPM também entrou com dois carros no top-10.
 
Em nono, Dixon dá a sensação de que tirou muito mais que o limite do #9. Não seria uma novidade, claro, o piloto da Nova Zelândia tem feito isso há tempos e certamente por toda a temporada atual. Só por isso, aliás, tem a chance de ser campeão. 
 
O pesadelo que se desenha em Mid-Ohio é que, em condições normais, a desvantagem da Ganassi se mostra mais poderosa até do que Dixon, o melhor piloto da Indy, é capaz de compensar. 
 
Para alcançar as rivais e seguir na frente da tabela, Dixon precisa fazer uma daquelas mágicas que de tempos em tempos mostram quem ele é e por que. Como em 2014, quando chegou a ser o último colocado nessa mesma pista e conseguiu vencer numa recuperação hercúlea.
 
Aquela corrida de 2014 foi a última que Dixon ganhou em Lexington, verdade, mas é importante lembrar que ele já venceu nesta mesma pista cinco vezes. 
Scott Dixon (Foto: Indy)
Após o treino, Rossi comemorou o fato dos pneus alternativos renderem tão bem na primeira volta rápida para os carros da Andretti. Explicou que, quando a equipe entendeu que isso era uma vantagem, passou a explorar.

"O #27 da Andretti tem andado muito bem com os pneus de faixa vermelha na primeira volta deles. Pensemos que tínhamos desvantagem, mas quando a mesma coisa de ontem aconteceu no Grupo 1, ficamos 'OK, vamos usar isso em nossa vantagem', especialmente quando a bandeira vermelha chegou", falou.
 
"Parabéns ao time pelo P1 e pelo terceiro lugar. O esforço que eles tiveram... Fomos o único que time que não testamos aqui. Grande crédito a toda a organização, espero que possamos converter em vitória amanhã", completou.

Na segunda colocação, Power deixou claro que sabia que a Penske não era soberana. Falou que ficou feliz e gostou do trabalho que fez, mas que Rossi foi impressionante para cravar mais uma pole - é a terceira do #27 no ano.
 
"Foi muito bom, estou feliz, sim, com a primeira fila. Claro que é uma posição real [das condições da Penske]. É difícil ultrapassar, todo mundo é rápido atualmente, então a classificação significa muito. Sim, Alex [Rossi] deu uma grande volta. Acho que a minha volta foi muito boa e depois vi o que ele fez - um giro sólido", comentou.
 
Dixon, em nono, reclamou do pole Rossi. Disse que o norte-americano saiu na frente dele e outros pilotos, incluindo Josef Newgarden durante voltas rápidas. 
 
"Acredito que seria sido difícil passar sem a bandeira vermelha, mas nunca se sabe. O #9 estava bom, definitivamente cresceu do Q1 para o Q2. O problema foi Rossi. Ele saiu na nossa frente e de outros na curva cinco quando estávamos em volta rápida. Teria sido fácil passar. Creio que ferrou com [Josef] Newgarden. Não tive como acabar com a volta, o que foi desanimador", declarou.
Pietro Fittipaldi (Foto: Indy)
Os brasileiros não foram bem no treino classificatório. O melhor foi Tony Kanaan, mesmo assim com o 19º lugar. E segundo ele o carro da Foyt até estava melhor que no resto dos treinos, mas passou longe de ser o que era necessário.
 
"Tentamos algo diferente. Creio que melhoramos, fomos mais rápidos que em qualquer outro momento, mas não foi o bastante. Tínhamos carro para ficar no top-14, mas ficamos fora por 0s1. Fizemos mais que 12 mudanças no carro entre o último treino livre e a classificação, então era meio que desconhecido. Agora é hora de descobrir o que faremos para a corrida", avaliou.
 
Em 21º, Matheus Leist foi curto e grosso. "Foi uma classificação difícil. Precisamos ser melhores que isso na corrida", declarou.
 
Pietro Fittipaldi ficou com o 22º lugar no que foi não apenas o retorno dele à Indy após a fratura nas pernas que sofreu em acidente no WEC, mas o primeiro treino classificatório dele na categoria em uma pista que não era rua ou oval.
 
"Foi difícil hoje. Claro que estamos decepcionados com nosso resultado. Senti que não podia confiar nos pneus. É minha primeira vez classificando num circuito misto na Indy, e a gente tem um tempo curto para aprender", falou. 
 
"Além da bandeira vermelha, só tivemos três voltas rápidas depois disso. Estou ansioso para a corrida. É muito difícil ultrapassar aqui, então não será fácil avançar, mas vamos avaliar as estratégias. Estou confiante que o carro #19 será melhor na corrida", encerrou.
 
A largada para o GP de Mid-Ohio acontece às 16h30 (de Brasília) do domingo.