F1

Por disputa com Ferrari, Mercedes revê política de igualdade de condições e admite impor ordens de equipe

Sem ameaças nos últimos três anos, a Mercedes não precisou de ordens de equipe para garantir bons resultados em uma corrida. Agora que a Ferrari surgiu como uma verdadeira adversária para a equipe alemã, Niki Lauda admitiu que o time pode interferir na pista para que o piloto mais veloz fique na frente e brigue com Sebastian Vettel

Warm Up / Redação GP, de São Paulo
 
Nas últimas temporadas a Mercedes não precisou de ordens de equipe, pois Lewis Hamilton e Nico Rosberg dominaram quase todas as corridas. Agora que a Ferrari aparece como grande adversária, Niki Lauda admitiu que as coisas dentro do time sofreram algumas mudanças.
 
Explicando a nova situação durante entrevista à ‘BBC’, o presidente não-executivo da esquadra alemã afirmou que com a nova ameaça de Sebastian Vettel eles tem de procurar sempre batê-lo. “É algo lógico, caso você não consiga ser tão veloz quanto seu companheiro, deve abrir espaço para ele brigar com Vettel”, disse.
 
“O grande problema para Bottas e Hamilton no momento é o Sebastian. Ele é o piloto a ser batido. No passado não tínhamos ordens de equipe, pois dominávamos com os dois carros e não tínhamos adversários, ninguém se colocava entre a gente. Neste ano, nas três primeiras corridas foi completamente diferente”, continuou.
Valtteri Bottas e Lewis Hamilton (Foto: Mercedes)

“A Ferrari é competitiva. Vettel está ali, não comete erros e nos dá uma briga real. Então, nossa nova política é que se um de nossos pilotos não consegue ir tão rápido quanto o outro, então ele tem que pensar como um time e usar os seus problemas não para bloquear o outro. Mas isso não é uma ordem de equipe”, emendou.
 
Atualmente na classificação, o alemão da Ferrari está na liderança, enquanto Hamilton figura na segunda colocação com sete pontos de desvantagem. Valtteri Bottas é o terceiro, com 23 pontos atrás do companheiro de equipe.
 
Apesar disso, Lauda ressaltou que não vai favorecer um piloto ou outro. “Até o momento Lewis está mais rápido, particularmente na última corrida, mas essas coisas podem mudar, precisamos esperar e ver”, destacou.
 
Por fim, o chefe da equipe, Toto Wolff, comentou que o time poderá interferir na ordem na pista caso um dos pilotos pareça sem ritmo suficiente para alcançar o adversário, mas nega qualquer ordem de forças dentro da esquadra. “Ordem de equipe é algo bastante amplo”.
 
“Não gostamos de ordens de equipe como eram 15 ou 20 anos atrás, onde você fazia um piloto vencer por benefício do campeonato ainda cedo na temporada. Mas se tivermos uma diferença no ritmo e sabemos o que isso pode causar, então talvez nós vamos interferir igual fizemos da última vez”, afirmou.
 
“Caso você pergunte para a Ferrari, eles não dirão que tem um piloto número um e um número dois, e é isso o que eu estou dizendo. Após a terceira corrida você não pode ter um primeiro piloto e um segundo. A dinâmica funcionou nos últimos três anos, dois competidores em um nível muito alto levando o outro ao limite e é isso o que faremos agora”, encerrou.

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