F1

Piloto, dirigente, empresário ou até bicheiro: o que Senna seria se estivesse vivo aos 55 anos

O GRANDE PRÊMIO pediu para que os pilotos usassem a imaginação e dissessem o que Ayrton Senna provavelmente faria se estivesse vivo aos 55 anos. As respostas foram interessantes…

Warm Up / RENAN DO COUTO, de Goiânia

Se estivesse vivo, Ayrton Senna completaria neste sábado, 21 de março, 55 anos. E o que ele estaria fazendo? A imaginação leva aos mais diversos caminhos.
 
Antes de morrer no trágico acidente do GP de San Marino, em 1º de maio de 1994, aos 34 anos, o tricampeão já estava preparando uma vida fora do Mundial de F1 para quando deixasse de competir. Os planos eram muitos.
 
No âmbito social, Senna havia lançado as bases do instituto que hoje leva seu nome. No mundo dos negócios, começou a desenvolver o uso de sua marca através de várias maneiras e produtos. Lançou o ‘Senninha’, licenciou os mais variados artigos — até bicicletas. E fechou acordos para importar para o Brasil itens da Mont Blanc, relógios da TAG-Heuer, motos da Ducati e carros da Audi.
 
Por outro lado, o que ele faria nas pistas sempre foi algo que permeou o imaginário de muita gente. Isso, era impossível saber. Até quando ficaria na Williams? Iria para a Ferrari? E a Indy?
Ayrton Senna virou até um personagem de história em quadrinhos (Foto: Getty Images)
O GRANDE PRÊMIO decidiu dar voz a colegas de profissão de Senna, pilotos do passado e do presente, para ouvir deles suas versões do que o tricampeão estaria fazendo atualmente.
 
Eterno piloto
 
“Não largava o osso, viu?”. Quem diz é o sobrinho de Ayrton, Bruno Senna. OK, talvez ele não estivesse mais em um campeonato ultracompetitivo, mas Bruno pensa que o tio provavelmente continuaria no cockpit.
 
“Olha, eu acho que o Ayrton estaria envolvido no automobilismo de alguma forma. Ele viveu a vida dele para o automobilismo. Talvez fosse chefe de equipe, fizesse alguma coisa do tipo. Com certeza não teria abandonado. Agora, com 55 anos, talvez estivesse correndo de endurance…”, diz.
 
Rubens Barrichello, ‘herdeiro’ de Senna na F1, também acha isso. Ele citou como exemplo Ingo Hoffmann, que correu até os 55 na Stock Car e, aos 62, está de volta à categoria como piloto convidado para a Corrida de Duplas deste fim de semana.
 
“Cara, eu estou correndo com o Ingo Hoffmann que tem 62 anos. Isso deixa a nossa mente muito ampla para o que o Ayrton poderia estar fazendo. Eu acho que, se o Ayrton tivesse algum lugar onde tivesse a felicidade de conduzir com a vida privada dele bem cuidada, porque o que atormentava ele era o fato de que não conseguia se movimentar, as pessoas ficavam muito em cima”, comenta o piloto mais experiente da história da F1. “Eu tinha isso, em uma proporção muito menor. Na Stock, como eu fiquei muito aberto para as pessoas, elas se liberaram também. Então elas não ficam se ‘muvucando’. Então o Ayrton poderia estar brincando de algum evento automobilístico, não tenha dúvida.”
 
Mas não são todos que creem nisso. Chico Serra teve muito contato com Ayrton, especialmente nos tempos das categorias de base, quando ele servia de referência para Senna. E Chico assegura que o tricampeão da F1 estaria longe do cockpit. “Não sei. Realmente eu não sei. Mas ele não estaria correndo. Depois da F1, ele pararia. Possivelmente estaria envolvido com alguma coisa, mas não estaria correndo, com certeza não”, afirma.
 
Vai saber…
 
Ninguém pode saber. É o que diz Ingo Hoffmann, que se divertiu e deixou a imaginação ir ainda mais longe para responder à pergunta. “Não tenho a menor ideia! Sei lá! Jogo do bicho! Pô, sei lá, cara, meu! Barraca na feira, talvez, vendendo melancia? Ou uma concessionária da Audi? Não dá para saber cara, desculpe, mas não dá”, fala o maior campeão da Stock Car, com 12 títulos.
 
“Vou te dar um exemplo: tem um cara que corria antigamente, chamava-se Leonel Friedrich, era um puta piloto do Rio Grande do Sul; hoje ele está que nem o Alex [Dias Ribeiro], é padre. De repente, vai saber. Outro está viajando de moto pelo Alaska. Cada um é cada um, é imprevisível. Não dá”, reforça.
 
Nicolas Prost, filho do maior rival, e Jacques Villeneuve, campeão da F1 em 1997, acabaram ficando em cima do muro, mas divergiram: um consegue enxergar o brasileiro nos autódromos; o outro, não.
 
“Não sei… Eu não o conhecia pessoalmente, não sei como ele era. Mas ele era muito apaixonado pelo automobilismo, e acho que isso continuaria sendo assim”, ressalta Villeneuve.
 
“Eu não sei. Não tenho nenhuma pista!”, esquiva-se Prost. “Não o conhecia tão bem e não quero dizer nada que não deva. Provavelmente fazendo algo que não tivesse nada a ver com corridas! Curtindo a vida. Mas não posso dizer com certeza!”
 
O impacto na geração seguinte
 
Para Lucas Di Grassi, Senna não foi mais do que um ídolo de infância e uma das motivações para o ingresso no mundo das corridas. E o piloto da Audi no Mundial de Endurance e na F-E destaca o peso que a presença de Ayrton seria de enorme valor para o esporte a motor nacional.
 
Di Grassi pensa que, por sua grandiosidade, Senna puxaria o automobilismo brasileiro de modo que o país teria muito mais pilotos apresentando-se em alto nível nas mais variadas categorias do planeta.
 
“O Senna foi talvez o maior esportista que o Brasil já teve, o mais lembrado, em uma época que a F1 era uma F1 de ouro, em que o piloto, no final das contas, fazia mais a diferença. O Senna foi inovador em uma série de áreas. Eu acho que hoje ele seria uma figura icônica. Teria ajudado muito o automobilismo brasileiro, que estaria em uma posição diferente na política, na parte de incentivo, motivação de quem fosse começar a andar de kart. Nisso ele teria ajudado muito. Foi uma pena para o automobilismo brasileiro, não só do ponto de vista de torcedor, mas do ponto de vista de legado do meio esportivo, que você depende, que eu dependo, que a gente tenta fazer o Brasil ter a melhor qualidade de pilotos, de mecânicos, de campeonatos, de infraestrutura."
 
“E acho que ele teria conquistado mais um ou dois títulos na F1, teria se tornado uma lenda muito maior. Talvez outros pilotos não tivessem ganhado tantos títulos. Mas acho que isso fez mais falta, esse poder de levantar o automobilismo”, completa.