F1

Opinião GP: Outrora subestimado, Rosberg se reafirma com outra exibição de gala e mostra que, enfim, merece ser campeão

Soberbo e quase perfeito nesta segunda parte da temporada, Nico Rosberg deixa definitivamente para trás a pecha de piloto subestimado e que pipoca em decisões. No Japão, quem ‘amarelou’ foi Lewis Hamilton, que falhou de novo num momento crucial. Agora, mesmo em um 2016 de tantas viradas e reviravoltas, o cenário parece ser irreversível e favorável ao alemão. Rosberg filho caminha a passos firmes para igualar o feito do pai, Keke, e ser o mais novo campeão mundial de F1

Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré

As poucas dúvidas que alguém poderia ter a respeito do potencial e da capacidade de Nico Rosberg de um dia se tornar campeão mundial de F1 foram dissipadas por completo no último domingo (9). Com o sangue finlandês e a frieza do pai, Keke Rosberg, correndo em suas veias, o alemão fez mais uma exibição de gala na temporada e não apenas venceu com extrema tranquilidade o GP do Japão, mas também triturou mentalmente seu maior rival, Lewis Hamilton. Nico, criticado desde que a Mercedes passou a dominar a F1 — inclusive por este que vos escreve —, pela sua postura muitas vezes passiva e acusado de tremer em momentos decisivos, se mostrou mais uma vez uma fortaleza em 2016. 
 
Em contrapartida, Hamilton amarelou, falhou quando não podia e deixou o caminho praticamente aberto para Rosberg faturar seu primeiro título.
 
Rosberg foi muito superior em todo o fim de semana e mostrou uma força mental descomunal quando ‘tirou o coelho da cartola’ e sacou uma volta magnífica para conquistar a pole com 0s013 de frente para Hamilton. 
O título de 2016 está muito próximo de Nico Rosberg, que faz muito por merecê-lo (Foto: Twitter/Nico Rosberg)

Aí, o britânico desmoronou de vez, e isso ficou evidente nas suas atitudes desde então: o brado contra os jornalistas no fim do sábado em razão da brincadeira no Snapchat feita na quinta-feira, e o erro clamoroso na largada em Suzuka. Desta vez, contudo, Lewis não falou em conspiração e trouxe para os seus ombros o peso da culpa pela falha em um momento decisivo. 
 
No Japão, onde venceu nos dois últimos anos, o tricampeão fez a corrida possível após ter caído para o oitavo lugar. Se recuperou e passou pelos carros da Force India, da Ferrari e de Daniel Ricciardo, da Red Bull. O terceiro lugar não bastava, era preciso buscar algo mais, mas aí Lewis falhou novamente quando restavam duas voltas para o fim. Na tentativa de ultrapassar um aguerrido Verstappen e tentar garantir uma dobradinha para a Mercedes e minimizar os prejuízos causados pelo seu próprio erro, passou reto ao retardar a frenagem na chicane Casio.
 
E para completar o festival de trapalhadas no fim de semana, o #44 protagonizou uma nova confusão nas redes sociais ao falar sobre o pedido de investigação oficializada pela Mercedes contra Max Verstappen pela manobra defensiva no fim do GP do Japão. São atitudes que mostram um Lewis Hamilton abalado, nervoso e perdido. 
 
Lá na frente, Rosberg nadava de braçada e seguia rumo à sua nona vitória no ano. Um número que, por si só, já prova o quanto Nico, o maior vencedor de 2016, é merecedor do título. Porém, indo muito além dos números frios, é preciso salientar que a postura do alemão desde que voltou das férias foi impecável, sendo preciso, frio e calculista mesmo nos momentos em que tudo parecia perdido, como no último GP da Malásia. Nico está diferente (para melhor) e se tornou neste segundo semestre o mesmo matador que foi Hamilton nesta mesma fase no ano passado.
 
Rosberg, de fato, aprendeu a lição vivida nos dois últimos anos. Aquele piloto que se abatia com as vitórias seguidas de Hamilton ficou para trás. Vencer um rival tão forte como Lewis não é somente questão de sorte ou azar, mensagem que muitas vezes o próprio Lewis faz questão de transmitir ao público. Nico tem muito mais do que aquela sorte de campeão que tanto sobrou ao rival nos últimos anos. É um piloto mais maduro, confiante, consistente, que erra muito pouco. Em suma, um piloto muito melhor do que foi nos dois últimos anos. E isso tem feito toda a diferença, a ponto de deixar Hamilton praticamente sem alternativas para virar o jogo nesta altura do campeonato.
Lewis Hamilton não tem vivido seus melhores dias (Foto: Getty Images)

Em condições normais, como disse Niki Lauda, já era para Hamilton em 2016. Rosberg nem precisa mais vencer neste ano para ser campeão: basta conquistar três segundos lugares e um terceiro. O que, considerando a performance que o carro da Mercedes oferece, é algo que pode ser conquistado numa boa. 
 
Mas toda essa condição foi conquistada porque Nico fez por merecer. Deixou para trás, definitivamente, a pecha de um piloto subestimado. Tem sido assim desde o seu primeiro ano na Mercedes, quando o foco das atenções esteve sempre voltado a Michael Schumacher. A partir de 2013, quando Hamilton chegou à equipe a peso de ouro, novamente o alemão se viu ofuscado, sempre como o coadjuvante. Mas desde o fim do ano passado, quando emendou três vitórias nas três últimas corridas, e nos quatro GPs deste ano, Nico mostrou que muita coisa estava mudada. Felizmente, para ele, para melhor.
 
Nico pode não ser midiático como é Hamilton e nem mesmo carismático como são Sebastian Vettel e Fernando Alonso. Mas não dá para negar o óbvio: em 2016, definitivamente, Rosberg entrou no rol dos grandes pilotos da F1. E, ao que tudo indica, em breve também vai entrar para a galeria dos campeões mundiais.

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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