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F1

Opinião GP: Estreia impressiona, mas Nasr agora precisa manter nível para vingar na F1 e apagar rótulos

Felipe Nasr viveu um primeiro GP na F1 como poucos. Impressionou com o desempenho sólido com a Sauber e se tornou o melhor brasileiro a estrear no Mundial, com quinto ugar. Só que agora Nasr tem de afirmar para vingar na maior das categorias e evitar que digam que foi sorte de principiante

Warm Up / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
O GP DA AUSTRÁLIA VIU UMA MERCEDES imbatível e um Lewis Hamilton ainda mais forte que aquele que se tornou bicampeão em 2014. Mesmo sendo a primeira etapa do ano, é impensável não imaginar que ambos devem novamente dominar com sobras. Nem mesmo Nico Rosberg pôde com o colega. E verdade seja dita: tudo isso já era mais ou menos esperado. Nada de realmente novo daí, portanto. Só que felizmente a corrida em Melbourne revelou outras histórias, para o bem e para mal. A mais importante delas foi a da estreia impressionante de Felipe Nasr.

Sem medo de errar, o brasileiro de 22 anos foi o nome da prova australiana. Superou expectativas e levou a Sauber de volta à zona de pontos com o histórico quinto lugar no traçado montado no Albert Park. Mais que isso, Nasr comprovou que está pronto para a F1 e apresentou um belo cartão de visitas. Chegou chegando, como dizem. E isso não tem preço em uma categoria imediatista como a F1 e onde a frase 'você é tão bom quanto seu último resultado' tem um peso enorme.

O desempenho, entretanto, foi apenas uma parte do roteiro traçado para a estreia do jovem piloto de Brasília.
Giedo van der Garde incendiou o início de semana da Sauber (Foto: Reuters)
A semana da Sauber e de todos os envolvidos com ela começou brutalmente conturbada devido ao processo movido por Giedo van der Garde, que pleiteava uma vaga de titular no time suíço, tendo como base um contrato assinado entre as partes ainda no ano passado, quando era piloto reserva da esquadra.

O imbróglio durou até sábado, véspera do treino classificatório. Van der Garde ganhou todas as batalhas travadas contra a equipe na Suprema Corte do estado de Victoria, mas, no fim, acabou retirando a ação, depois de um acerto com a escuderia comanda por Monisha Kaltenborn  entende-se que o acordo entre ambos veio após uma generosa compensação financeira. Vai entender.

Só que durante todos os esses dias, tanto a posição de Nasr como a do colega Marcus Ericsson esteve altamente ameaçada. Mas a equipe suíça tratou de blindar a dupla. Ninguém deu entrevistas até que a peleja fosse devidamente resolvida. A manobra se mostrou acertada e garantiu um mínimo de tranquilidade mental. Daí o bom rendimento desde o segundo treino livre, aquele em que realmente a Sauber pôde iniciar os trabalhos em Melbourne.

Com Van der Garde fora da história, o brasiliense se voltou totalmente para a tão esperada estreia e deu pistas do que poderia fazer já na classificação. A definição do grid não foi das melhores para o time de Hinwil, mas Felipe soube tirar proveito do equipamento nos momentos certos e ficou fora do Q3 por muito pouco. Ainda assim, conseguiu largar entre os dez depois da desistência de Valtteri Bottas. E esse início foi mais do essencial para o desempenho que veio a seguir.

Seguro, Felipe não se assustou com o toque logo na primeira curva. Saiu-se muito bem e foi para cima, com uma pilotagem de personalidade, sem erros ou afobação. Fez tudo o que se esperava e muito mais, travou disputas interessantes com Daniel Ricciardo e Kimi Räikkönen. Venceu as duas. No fim, foi mais veterano que estreante.
Felipe Nasr o GP da Austrália na quinta colocação (Foto: Getty Images)
Foi às lágrimas no fim da prova e admitiu que não esperava tamanho rendimento. Grande começo. É aí que mora o perigo daqui para frente.

A boa performance ficou marcada e será sempre lembrada  especialmente tendo sido feito a bordo da Sauber, que sequer marcou pontos em 2014 , mas não é segredo algum que a primeira corrida do ano não é exatamente um ponto de análise preciso do que vai ser a temporada toda em muitos casos.

Mesmo com uma carreira cuidadosamente construída ao longo das categorias de base, Nasr ainda tem um caminho enorme pela frente para definitivamente vingar na F1. Momentos ruins e de falta de performance vão aparecer em algum momento, certamente. E a maneira como lidar com isso é que vai fazer realmente a diferença no tipo de carreira que Felipe deseja para si.

O começo foi bom, muito bom. É a melhor estreia de um piloto brasileiro na longa história do país na F1, e é um ‘título’ que deve durar por muito tempo ainda. A partir de agora, Nasr tem de mesclar a cautela para não se empolgar com a imponência de quem tem de mostrar que não se tratou de sorte de um principiante que só está lá pelo valor do patrocínio.

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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