F1

Na casa da Honda, Alonso se frustra, dispara via rádio que tem “motor de GP2” e define: “É vergonhoso”

Fernando Alonso não escondeu a irritação com a falta de potência do motor Honda e bradou forte via rádio. A gota d’água foi a fácil ultrapassagem sofrida por Max Verstappen durante o GP do Japão

Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré
Dois dias depois de comemorar os dez anos do seu primeiro título mundial na F1, Fernando Alonso já não faz mais questão de esconder sua impaciência com a fase claudicante da McLaren. Totalmente insatisfeito com a falta de performance e ritmo do MP4-30 ao longo de toda a temporada, o espanhol pareceu viver em Suzuka mais uma etapa do seu calvário desde que voltou ao time de Woking. Tudo isso depois de ter dito que a McLaren Honda merece todas as críticas que vem sofrendo.

No começo do GP do Japão, disputado neste domingo, Alonso, que largou em 12º lugar em Suzuka, acabou sendo ultrapassado pelos carros de Carlos Sainz Jr. e Felipe Nasr com relativa facilidade.
Alonso reclama demais do carro da McLaren durante corrida na casa da Honda (Foto: Reprodução TV)
Via rádio, o espanhol reclamou ao dizer que tal fato era “vergonhoso” e também criticou a falta de aderência do seu carro: “Parece que estou guiando no gelo”, disparou.

A gota d’água foi quando, pouco antes da abertura da segunda metade da corrida, na volta 26, o bicampeão do mundo conseguiu sustentar por um tempo a pressão de Max Verstappen, mas não resistiu ao melhor ritmo do holandês, que colocou sua Toro Rosso por fora na curva 1 para fazer a ultrapassagem.

Aí Alonso não aguentou: “GP2, motor de GP2”, disparou, na casa da Honda, contra o propulsor fabricado pela montadora japonesa.

Definitivamente, apesar de todas as negativas do próprio piloto, o simbolismo das críticas de Alonso dá indicativos de que o piloto pode mesmo deixar novamente a McLaren ao fim do ano, ainda mais depois de dizer que pode ser campeão em outras categorias. Motivos para tamanha insatisfação sobram.

Após a prova, quando perguntado sobre a permanência na McLaren, ele hesitou. "Eu não sei... Minha intenção é ficar e vencer", afirmou.

“Sim, definitivamente, este é o único time que vai desafiar a Mercedes em um futuro próximo. Mas, no momento, é difícil pois não temos os brinquedos para chegar neles. Temos que garantir que sabemos quais são os problemas, mergulhar nas soluções e voltar no próximo ano. Mas, sem dúvida, é frustrante lá dentro do carro", acrescentou.

Um dos donos da McLaren, Ron Dennis não gostou do tom das declarações dadas via rádio, mas fugiu de um confronto. "Não é muito construtivo. Não consigo ficar muito satisfeito. Sou conivente com isso? Não. Vou entrar no tiroteio? Não", minimizou.