F1

Hamilton afirma que Vettel “claramente não é mais o 1º piloto” da Ferrari

Lewis Hamilton fez uma análise sobre a atual situação da Ferrari após a polêmica entre Sebastian Vettel e Charles Leclerc no GP da Rússia. O pentacampeão entende que a equipe italiana agora tenta promover o monegasco ao posto de piloto número 1 e que isso nem sempre funciona bem

GRANDE PRÊMIO / Redação GP, de Curitiba
O imbróglio envolvendo os pilotos da Ferrari ainda repercute em Suzuka, onde a Fórmula 1 está para a 17ª etapa da temporada. Desta vez, quem falou sobre a controversa estratégia ferrarista na Rússia foi Lewis Hamilton - que acabou sendo beneficiado pelo abandono de Sebastian Vettel. O pentacampeão acredita que a equipe italiana agora mudou o foco de um piloto para outro. Mas o inglês foi além e deu a entender que não tem certeza se a escuderia fez a escolha certa.
 
A Ferrari tentou, sem sucesso, impor ordens aos seus pilotos na corrida em Sóchi, disputada há quase duas semanas. A prova russa foi marcada por queixas de Leclerc quanto ao comportamento de Vettel, depois da largada. De acordo com a estratégia ferrarista, o jovem monegasco, que saía da pole-position, deveria dar o vácuo ao companheiro de equipe, com a intenção de anular qualquer avanço de Lewis Hamilton, que partia da segunda colocação do grid. O tetracampeão usou bem o recurso e conseguiu não só superar o piloto da Mercedes, como também o colega de time.
 
Só que Sebastian, segundo um acordo pré-corrida feito entre a dupla e a cúpula da Ferrari, deveria devolver a posição a Leclerc, o que acabou não acontecendo. Vettel se pôs mais rápido e não deu chances a Charles, que passou a cobrar a equipe no rádio. A escuderia, então, promoveu a troca nos pits. Vettel, no entanto, abandonou o GP russo, depois de uma falha de motor, quando já estava atrás do parceiro. A quebra do carro #5 ainda provocou um safety-car virtual, o que deu à Mercedes a chance de vencer. E Hamilton aproveitou. 
Lewis Hamilton vê problemas na Ferrari (Foto: AFP)
Falando sobre o caso aos jornalistas, Hamilton disse que a Ferrari já deixa claro quem é o piloto favorito. "É uma dinâmica interessante que eles têm lá, porque obviamente Seb era o número 1 e agora, claramente, não é mais. Olhando de fora, parece que estão tentando promover Charles", afirmou o britânico, que está muito perto de conquistar o hexacampeonato na F1.

"Isso é bom para uma equipe? Acho que não. Só que essa é a filosofia que eles sempre tiveram. Aqui não reclamamos porque temos uma boa filosofia. Ela funciona muito bem e não planejamos mudá-la tão cedo."
 
Hamilton também fez uma análise da tática ferrarista para o início da corrida em Sóchi, que agravou os desentendimentos entre a dupla ferrarista. O #44 entende que Leclerc errou ao não se defender na linha interna na curva 2, onde foi ultrapassado por Vettel. E ainda comparou com a forma como a Mercedes lidou com a mesma situação em outras corridas. "Trabalhos juntos como uma equipe quando fazemos isso. Se eu estou na pole, ou Valtteri, ao invés de dar o vácuo ao terceiro colocado, é melhor fazer isso para o segundo. Nós já trabalhamos neste cenário, nós fizemos isso há alguns anos. Ele fechou por dentro, eu peguei o vácuo, bloqueamos e ele manteve a liderança."
 
"Então, eu entendo essa ética de trabalho. Mas acho que Charles disse que "vou deixar você pegar o vácuo" e não se mexeu mais, o que deveria ter feito. Você simplesmente não desiste de uma posição e, depois, espera recuperá-la", completou.
Sebastian Vettel e Charles Leclerc (Foto: AFP)
Foi aí que Lewis lembrou da experiência vivida ao lado de Fernando Alonso na McLaren em 2007, na sua temporada de estreia na Fórmula 1. "Nunca tive uma equipe tão forte do outro lado. Obviamente, quando estava com Fernando, ele era o número 1. Mas no meio do campeonato isso mudou. Ele ainda era o número 1, porque era o piloto mais bem pago, mas eles nos deram condições iguais, e comecei a ver mudanças em Montreal e Indianápolis. Isso tudo mudou e, certamente, não funcionou tão bem para a equipe."
 
"Mas eu entendo, porque quando você chega, quer ter a mesma chance do outro. Mas há pilotos que sempre quiseram esse status de número 1. É mais fácil para eles. Eu gosto de conquistar isso. Começar o ano em igualdade de condições e cada um pode se tornar o número 1 naquele fim de semana, corrida a corrida", concluiu.
 
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