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F1

Ericsson ressalta boa relação com Nasr e diz que acusação de sabotagem da Sauber é “completamente ridícula”

Prestes a fechar sua segunda temporada como companheiro de equipe de Felipe Nasr na Sauber, Marcus Ericsson deixou todas as desavenças de lado e elogiou o brasileiro, garantindo que tem não tem problemas. Por outro lado, o nórdico entende que teorias da conspiração que dão conta de um suposto favorecimento a ele no time suíço são uma bobagem completa

Warm Up, de Interlagos / FERNANDO SILVA, de Interlagos

Marcus Ericsson ficou muito, muito perto de marcar o primeiro — e redentor — ponto da Sauber na temporada 2016 do Mundial de F1. O sueco tem conseguido fazer corridas razoáveis, culminando com o GP do México, quando terminou em 11º lugar. Nesta prova, como em algumas ao longo do campeonato, Marcus teve seus momentos de entrevero com Felipe Nasr. Contudo, Ericsson deixa claro que não tem nenhum grande problema de relacionamento com seu companheiro de equipe, que está ao seu lado desde o começo de 2015. Por outro lado, o nórdico rejeitou de forma veemente a sugestão de uma teoria da conspiração contra o brasileiro, levantada sobretudo depois do GP dos Estados Unidos.
 
Naquela corrida, Nasr começou bem o fim de semana, teve uma ótima sexta-feira para os padrões da Sauber (12º no primeiro treino livre e 13º na segunda sessão), mas depois perdeu rendimento, se classificou em 21º e terminou a prova em 15º. Mas, na visão de Ericsson, não há nenhuma vontade da Sauber de sabotar o brasileiro, muito pelo contrário. Afinal, a equipe precisa mais do que nunca de pontos para sair da última posição do Mundial de Construtores e garantir alguns milhões de dólares que são destinados à décima melhor escuderia do campeonato. Ficar na última colocação significa uma dificuldade a maios em termos financeiros para 2017, apesar da injeção de dinheiro da nova proprietária da equipe, a Longbow Finance.
 
Com exclusividade ao GRANDE PRÊMIO, Ericsson foi direto ao abordar o tema. “Acho que é uma besteira, uma bobagem completa. Não posso entender como alguém consegue pensar nessa possibilidade. Como equipe, a Sauber busca sempre somar pontos com seus pilotos, especialmente neste ano, quando estamos com zero pontos, então cada ponto é de extrema importância, então essas acusações são completamente ridículas”, bradou.
Marcus Ericsson disse que não faz sentido imaginar que a Sauber queira prejudicar Felipe Nasr (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Marcus, contudo, rendeu muitos elogios a Nasr e ressaltou suas principais características. “Sim... tivemos batalhas, alguns desentendimentos, às vezes é complicado. Mas no geral nós trabalhamos bem juntos e nos pressionamos muito um ao outro, por isso andamos tão próximos”, comentou. 
 
“Para mim, há uma relação muito boa com ele ao longo desses dois anos. Claro, ele é muito competitivo. Felipe é um piloto muito forte, muito rápido, então acaba sendo um grande desafio para mim lutar contra ele e trabalhar junto a ele”, disse o sueco de 26 anos nesta tarde de quinta-feira (10) em Interlagos.
 
Em 2015, Nasr teve um ano muito mais positivo que Ericsson. A começar pela corrida de estreia em Melbourne. No GP da Austrália, Felipe conseguiu o melhor resultado de um brasileiro estreando na F1, terminando em quinto lugar. No total, o brasiliense fechou o ano com 27 pontos, enquanto Marcus garantiu apenas nove. Mas em 2016, um ano muito mais difícil para a Sauber, com problemas financeiros, grande atraso no desenvolvimento do carro e, consequentemente, falta de performance, Ericsson vem se saindo melhor que seu companheiro de equipe.
 
Ericsson entende que a luta com Nasr é muito igual. Mostrando respeito ao brasileiro, Marcus acredita que o lado mental para lidar melhor com as dificuldades tem sido determinante para colocá-lo num patamar à frente em relação ao seu colega de Sauber em 2016.
Apesar das duras batalhas na pista, Ericsson diz que tem boa relação com Nasr (Foto: Getty Images)
“No ano passado o Felipe foi o líder, somou mais pontos que eu. Na segunda metade do ano passado eu estava forte, mas o carro não era tão bom. Neste ano eu tenho estado mais forte, sobretudo mentalmente, então eu me sinto mais forte, acreditando mais em mim. Então acho que esse lado mental melhorou muito. Então posso entregar muito mais nas classificações, nas corridas. Para mim, é a maior mudança, do lado mental, que me ajudou a melhorar muito”, explicou.
 
“Na F1, você sempre se compara com seu companheiro de equipe. E assim tem sido nessas últimas corridas. Mas tem sido difícil porque nós temos zero ponto porque o carro não é bom o bastante para marcar pontos. Na F1, você tem de fazer o melhor que você pode e buscar tirar o máximo do carro”, complementou o sueco.
 
Marcus desconversou sobre a possibilidade de continuar na Sauber, mas tudo indica que ele vai permanecer mais um ano em Hinwil. “Ainda não sei, mas o mais provável é que eu continue aqui, porque para mim é a melhor oportunidade no momento”. Ericsson também disse que chegou a conversar, por meio do seu empresário, com a Force India, que nesta quinta-feira oficializou o jovem francês Esteban Ocon como seu novo piloto para 2017.
 
“Meu empresário se manteve em contato com todas as equipes possíveis durante a temporada enquanto as portas estavam abertas. Sabe, vou sempre tentar buscar a melhor equipe, o melhor carro possível para mim. A Force India está muito, muito forte neste ano, parecendo muito bem. Mas agora [a porta] está fechada, e acho que a Sauber é a melhor opção neste momento”, disse, dando outro indicativo de que deve continuar na escuderia suíça.
 

E Ericsson está bem feliz com as perspectivas da equipe chefiada por Monisha Kaltenborn depois da chegada do novo proprietário, a Longbow Finance. “Acho que é uma grande mudança para uma equipe estabelecida, que antes estava tentando sobreviver, tentando se manter. Agora, com um novo dono, estamos trabalhando muito em termos de performance, atualizando o carro. Há muita gente nova chegando, tudo isso traz uma nova atitude. Então estamos buscando mais desempenho, mais desenvolvimento.”
 
“É uma grande mudança, sobretudo a partir da segunda metade da temporada. Estamos um pouco mais competitivos, especialmente nas últimas duas corridas, mais fortes... você sabe, a equipe tem contratado gente nova o tempo todo. Então é uma grande mudança para a equipe, é algo muito positivo”, emendou o piloto.
 
A expectativa de Ericsson é de terminar a temporada somando pontos, e o GP do Brasil é visto como a grande oportunidade para a Sauber em razão do clima sempre incerto da região de Interlagos. “Acho que no Brasil nós temos chances. Nesta corrida você nunca sabe muito bem o que pode acontecer com o clima, então isso proporciona algumas boas surpresas. Então acho que temos chances aqui no Brasil. Fomos bem na última corrida no México, fizemos boas ultrapassagens, terminamos em 11º, perto dos pontos, então espero pontuar aqui”, finalizou.
 
O GRANDE PRÊMIO cobre 'in loco' o GP do Brasil de F1 com Flavio Gomes, Evelyn Guimarães, Fernando Silva e Rodrigo Berton. Acompanhe o noticiário aqui.