F1

Em corrida empolgante e cheia de ultrapassagens, Rosberg brilha, amplia série invicta e vence GP da China

Foi uma senhora corrida, o GP da China de F1. Com muitas ultrapassagens, toques, estratégias diversas e emoção o tempo todo, a prova foi uma das melhores nos últimos tempos. E acabou por coroar a fase dourada de Nico Rosberg, que novamente aliou sorte e competência para vencer a terceira corrida do ano, mantendo uma série invicta que já vai para seis etapas

Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré

Que corrida, senhoras e senhores! Ultrapassagens, toques, estratégias distintas, sorte, azar, enfim. Todos os ingredientes que fazem da F1 este esporte sensacional foram exibidos pelos 22 pilotos no GP da China de F1. Neste domingo (17), Xangai foi palco de um sem número de bons embates e presenciou a confirmação de que o momento hoje é de Nico Rosberg. Com muita competência e uma sorte gigante, o alemão foi beneficiado logo na largada pelo toque entre as Ferrari de Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen, enquanto Lewis Hamilton, após ter largado em último, ter se envolvido num incidente com Felipe Nasr. Mesmo tendo largado mal e caído para segundo, Rosberg recuperou a liderança depois de ver o pneu traseiro esquerdo de Daniel Ricciardo explodir. Aí, foi só manter o belo ritmo do Mercedes W07, partir para o abraço e vencer a terceira corrida do ano, a sexta seguida.

Com o triunfo em Xangai, Rosberg chegou aos 75 pontos e, de quebra, atingiu uma marca histórica. As 17 vitórias colocam Nico como o maior vencedor não-campeão do mundo da história da F1, superando o grande Stirling Moss.
 
Nico Rosberg partiu rumo à glória na China. Já são seis vitórias consecutivas, três só em 2016 (Foto: Getty Images)
Vettel se recuperou do incidente na primeira volta, fez uma bela corrida de recuperação e conseguiu cruzar a linha de chegada em segundo, seguido por Daniil Kvyat, que seguramente fez uma das suas melhores exibições na F1. O russo completou o pódio e confirmou que, no momento, a Red Bull é a terceira força da F1 na atualidade. Daniel Ricciardo se recuperou do azar com o pneu furado (que lhe tirou um pódio certo) e garantiu o quarto lugar, com Räikkönen completando o top-5.

Felipe Massa fez uma corrida brilhante. Seu carro não ajuda, mas mesmo com as limitações do FW38, o brasileiro segurou no braço um aguerrido Lewis Hamilton, que buscava escalar o pelotão para não perder tantos pontos na briga com Rosberg, mas encontrou em Massa um rival valente. Felipe chegou em sexto, seguido pelo bicampeão do mundo. Max Verstappen, depois de fazer a ultrapassagem sobre Valtteri Bottas no fim da corrida, foi o oitavo, seguido pelo seu companheiro de Toro Rosso, Carlos Sainz. Bottas se arrastou para terminar em décimo.

Felipe Nasr, por sua vez, terminou num paupérrimo 20º lugar, só na frente de Rio Haryanto e Jolyon Palmer, numa corrida tão incrível que não teve um abandono sequer.

Saiba como foi o GP da China de F1

Uma largada muito louca! Foi assim que começou o GP da China de F1. Quem esperava ver Rosberg abrindo vantagem na ponta logo no início talvez não tenha se surpreendido com mais um começo ruim da Mercedes. Ricciardo fez uma baita largada e assumiu a ponta, com Rosberg em segundo lugar e Kvyat surpeendendo em terceiro.

Mas mesmo em segundo, Rosberg seguia brindado pela sorte. Pouco mais atrás, Räikkönen e Vettel se encontraram, com o maior dano ficando para o finlandês, que teve de entrar nos boxes para trocar a asa dianteira. Vettel reclamou da manobra de Kvyat na largada e disse que não conseguiu evitar o toque no seu companheiro de Ferrari, caindo para nono lugar. E Hamilton também se atrapalhou na largada e teve sua asa dianteira danificada após ter tocado na Sauber de Felipe Nasr, também tendo de entrar nos boxes depois de ter largado em último.

Destaque para os dois carros da Force India, que pularam para logo atrás de Kvyat na largada, com 'Checo' Pérez sendo seguido por Hülkenberg.

No fim da terceira volta, Ricciardo vinha na frente quando o pneu (supermacio) traseiro esquerdo simplesmente estourou, levando o australiano a entrar imediatamente nos boxes. Assim, Rosberg, com pneus macios, assumia a liderança da prova, seguido por Kvyat. Definitivamente, a sorte estava ao lado do alemão não só em Xangai, mas desde o começo da temporada.
Ricciardo toma liderança de Rosberg na largada do GP da China (Foto: Getty Images)

Aí, a direção de prova acionou o safety-car para remover a asa dianteira do carro de Hamilton e limpar os detritos deixados por Ricciardo no fim da grade reta de Xangai. Começava então uma grande movimentação nos boxes, com a maioria dos pilotos que largaram com os supermacios fazendo a troca para os macios. Neste momento, Vettel ultrapassou dois carros na entrada do pit-lane, o que é proibido sob bandeira amarela.

No jogo das estratégias, ganhou posições quem ficou na pista e não parou para trocar pneus. Assim, Rosberg era o líder, seguido por Felipe Massa, Fernando Alonso e o surpreendente Pascal Wehrlein, da Manor, em quarto, quando a relargada foi dada na volta nove. Com a bandeira verde, Kvyat, que era o quinto, abriu caminho e conseguiu ultrapassar Wehrlein e, pouco depois, Alonso. O início do GP da China era empolgante demais.

A luta era intensa em vários pelotões da corrida. A batalha entre Gutiérrez, Pérez, Bottas e Vettel era muito boa. O mexicano da Force India levava a melhor e subia para um grande quinto lugar. Na frente, Kvyat mostrava que a Red Bull está numa fase bem melhor do que a Williams e fazia a ultrapassagem sobre Massa no fim da grande reta no desfecho da volta 12. Alonso vinha muito bem, em quarto.
Ricciardo assumiu a liderança no início do GP da China. Mas tudo durou três voltas (Foto: Getty Images)

Mas na volta 14, depois de passar Pérez, Vettel vinha para cima de Alonso usando pneus supermacios. O bicampeão, com pneus macios, não ofereceu resistência e foi ultrapassado. Fernando ficava na alça de mira de Pérez, que vinha numa boa campanha com a Force India. E, de qualquer forma, era grande o trabalho da McLaren na China.

Os comissários de prova absolveram Vettel pelas ultrapassagens no pit-stop, mas puniram Nico Hülkenberg, que estava à frente no pelotão, por guiar de forma "desnecessariamente lenta" na entrada do pit-lane. Assim, o tetracampeão continuava bem, em terceiro, só atrás de Rosberg, que sobrava na frente e fazia 1min40s868, então melhor volta, com os pneus macios, e Kvyat, que fazia belíssima prova em Xangai. Massa, após um excelente pit-stop da Williams, vinha em sexto, atrás de Button, quarto, e Pérez.

Hamilton buscava recuperar terreno e vinha em 11º, pressionando um apagado Kimi Räikkönen na volta 25. Rosberg, por sua vez, seguia num ritmo soberbo e abria 20s de frente para Kvyat. E, de quebra, ainda voltava a fazer volta mais rápida: 1min40s823 com os macios.

Rosberg continuava soberano na corrida e liderava à frente de Vettel, que conseguia superar Kvyat. Por sua vez, Massa fazia belíssima corrida e, desta vez, contava com uma boa estratégia por parte da Williams. Com ótimo ritmo, o brasileiro vinha em quarto lugar, levando a melhor diante de um pelotão que tinha também Valtteri Bottas e Sergio Pérez.

Mas a partir da volta 40, Felipe passava a contar com a fortíssima pressão de um aguerrido Hamilton, que vinha muito forte depois de ter feito nada menos do que cinco paradas. Mas Lewis também tinha Ricciardo em seu encalço. Todos os três vinham com pneus macios. De qualquer forma, a luta pelo quarto lugar era muito boa, como a corrida em si.

Na volta 43, Ricciardo colocou por dentro no grampo e consolidou seu grande ritmo com bela ultrapassagem em cima de Hamilton. No mesmo setor, na volta seguinte, foi a vez de o australiano passar Massa e avançar na corrida. Em que pese o furo no pneu no começo da corrida, era uma jornada brilhante do piloto da Red Bull.



A prova era tão empolgante que Massa segurava Hamilton no braço depois de o britânico vir alucinado tentar a ultrapassagem. Felipe não só defendeu bem sua posição, como deixou Lewis na alça de mira de Räikkönen, que vinha atrás e conseguia superar o piloto da Mercedes numa grande manobra. Em seguida, Kimi fez a ultrapassagem sobre o brasileiro que, diga-se, fazia excelente corrida.

Ao fim de 56 voltas de muita emoção e uma grandiosa prova, Rosberg confirmou o favoritismo e venceu o GP da China. Vettel, depois de perder muitas posições com o incidente na largada, se recuperou bem e ganhou o segundo lugar, enquanto Kvyat e Ricciardo coroaram a grande campanha da Red Bull e terminaram em terceiro e quarto, respectivamente. Räikkönen ainda se recuperou bem para fechar o top-5 da disputa.

F1, GP da China, Xangai, final:

1 6 NICO ROSBERG ALE MERCEDES 1:38:53.891 56 voltas
2 5 SEBASTIAN VETTEL ALE FERRARI +37.776  
3 26 DANIIL KVYAT RUS RED BULL TAG HEUER +45.936  
4 3 DANIEL RICCIARDO AUS RED BULL TAG HEUER +52.688  
5 7 KIMI RÄIKKÖNEN FIN FERRARI +1:05.872  
6 19 FELIPE MASSA BRA WILLIAMS MERCEDES +1:18.230  
7 44 LEWIS HAMILTON ING MERCEDES +1:19.268  
8 33 MAX VERSTAPPEN HOL TORO ROSSO FERRARI +1:24.127  
9 55 CARLOS SAINZ JR ESP TORO ROSSO FERRARI +1:26.192  
10 77 VALTTERI BOTTAS FIN WILLIAMS MERCEDES +1:34.283  
11 11 SERGIO PEREZ MEX FORCE INDIA MERCEDES +1:37.253  
12 47 FERNANDO ALONSO ESP McLAREN HONDA +1:41.990  
13 22 JENSON BUTTON ING McLAREN HONDA +1 volta  
14 21 ESTEBAN GUTIÉRREZ MEX HAAS FERRARI +1 volta  
15 27 NICO HÜLKENBERG ALE FORCE INDIA MERCEDES +1 volta  
16 9 MARCUS ERICSSON SUE SAUBER FERRARI +1 volta  
17 20 KEVIN MAGNUSSEN FRA RENAULT +1 volta  
18 94 PASCAL WEHRLEIN ALE MANOR MERCEDES +1 volta  
19 8 ROMAIN GROSJEAN FRA HAAS FERRARI +1 volta  
20 12 FELIPE NASR BRA SAUBER FERRARI +1 volta  
21 88 RIO HARYANTO INA MANOR MERCEDES +1 volta  
22 30 JOLYON PALMER ING RENAULT +1 volta  
 
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