F1

Contrato de 1987 com Lotus revela exigências e proibições de Senna e empresa em paraíso fiscal

O último contrato de Ayrton Senna com a Lotus revelou que piloto possuía empresa nas Bahamas e que ganhava US$ 1,5 milhão. O piloto também era proibido de praticar esportes de risco e usar o boné do Banco Nacional

Warm Up / Redação GP, de São Paulo
Foram revelados nesta quarta-feira (10) os detalhes do último acordo entre Ayrton Senna e a Lotus. O contrato, datado de 1987, veio à tona por meio do blog do jornalista Fábio Seixas e está na internet no site da Legacy Tobacco Documents Library (LTDL), um arquivo digital de documentos da indústria tabagista criado pela Universidade da Califórnia. O documento de 18 páginas e cinco apêndices foi assinado em  janeiro daquele ano e traz informações sobre as exigências, proibições e salários do piloto, morto em 1994, durante o GP de San Marino.

O acordo apontava que o brasileiro ganhava US$ 1,5 milhão, não podia usar boné do falido Banco Nacional nem praticar esportes de alto risco, tinha status de primeiro piloto e uma empresa em um paraíso fiscal. Segundo o contrato, a sede da empresa de Senna – a  AS Promotions – ficava em Nassau, nas Bahamas. O vínculo era de duas temporadas, mas havia uma opção limite para rescisão sem multas e de ambos os lados – 8 de agosto de 1987. O tricampeão acabou usando essa clausula para fechar com McLaren para 1988.
Ayrton Senna venceu cinco vezes o GP dos Estados Unidos, três delas em Detroit (Foto: Divulgação)

Entre as várias exigências, o documento inicia com a obrigação de Ayrton em usar "seu nome e sua fama", além da participação em eventos promocionais da empresa e o uso de roupas escolhidas pela Lotus, assim como a posição dos patrocinadores no capacete. Também foi solicitado a deixar a Inglaterra por conta de questões fiscais. Como se sabe, Senna passou a viver em Mônaco.

O acordo também proibiu o piloto de usar o boné do Banco Nacional e praticar esportes de risco como motociclismo, asa delta e esqui. O vínculo, entretanto, não fala em propaganda de cigarros. Mas liberava patrocinadores pessoais do piloto no capacete e no macacão.

Pelos lados da Lotus, a equipe se comprometeu a pagar um extra por ponto marcado, e para cada piloto, naquele ano – US$ 40 mil. E ainda previa uma bonificação de U$250 mil em caso de título, além da divisão dos valores de eventuais premiações em corrida. O time inglês ainda fez um seguro de vida para o brasileiro.

Um dos parágrafos deste acordo revela também a anuência da Camel (patrocinadora da equipe e de propriedade de grupo J.R. Reynolds) para que Senna fosse o piloto principal naquele ano e em 1988, dispensando obrigatoriamente Satoru Nakajima das funções e que "se algum piloto não guiasse para a equipe por quaisquer razões, a Lotus tem de pedir a aprovação da Reynolds para substituir por um piloto de mesmo calibre".
Contrato de 1987 entre Ayrton Senna e a Lotus (Foto: Reprodução)

Outros documentos verificados pelo GRANDE PRÊMIO indicam que o acordo foi fechado em 30 de janeiro daquele ano, de acordo com o calendário de documentos entre as partes. Senna não assinou nem o contrato com a equipe, tampouco a carta em que confirma ter seu conhecimento dos detalhes, sendo representado por um advogado.

O GP verificou também que o patrocínio assinado entre a Reynolds (Camel) e a Lotus era de US$ 5 milhões, pago em cinco parcelas de diferentes valores. A empresa tabagista também fazia os pagamentos dos bônus por resultados, na seguinte ordem: vitória em corrida rendia US$ 30 mil; segundo lugar, US$ 20 mil; terceiro lugar, US$ 10 mil; e pole, US$ 5 mil. Com o terceiro lugar no Mundial de Pilotos daquele ano, Senna faturou algo em torno de US$ 165 mil, sem contar o segundo lugar no GP da Austrália. O piloto foi desclassificado da prova. 

Ainda, as partes tentaram amarrar Senna à equipe de tal forma que ressaltavam que "os acordos entre a AS Promotions e a Lotus e a Reynolds são por um período de dois anos e nenhuma referência deve ser feita com uma opção de término". Havia até outro acordo já feito com a AS Promotions para que a Reynolds tivesse o direito de explorar a marca Camel no boné de Senna.

O contrato na íntegra e em inglês está aqui.




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