F1

Chefe da Ferrari admite que mudaria SF90 “se tivesse dados dos pneus de 2019”

Chefe da Ferrari, Mattia Binotto abriu o jogo sobre a primeira parte da temporada dos italianos e admitiu que a equipe perdeu oportunidades e que, se soubesse antes do comportamento diferente dos pneus, teria assumido um caminho diferente com relação ao desenvolvimento da SF90. O comandante ferrarista também reconheceu a frustração com as atualizações que não deram certo ao longo das primeiras etapas do campeonato

GRANDE PRÊMIO / Redação GP, de Curitiba
A Ferrari viveu uma pré-temporada muito forte e veloz, mas não foi capaz de levar a mesma performance para o campeonato. A equipe italiana se viu em apuros com falhas diversas – de pilotagem à estratégia – e identificou múltiplos problemas relacionados a linha de desenvolvimento adotada para a SF90. Ao longo da primeira parte da temporada 2019, a esquadra chefiada por Mattia Binotto enfrentou também dificuldades com o comportamento dos pneus - a Pirelli alterou os compostos neste ano - e também com a falta de downforce, uma vez que o time priorizou a velocidade de reta. E ao fazer uma avaliação das 12 etapas disputadas até aqui, Binotto admitiu que, se tivesse os dados sobre o desempenho da borracha, teria ido por um caminho diferente na concepção do carro deste ano.
 
Neste momento, a Ferrari ainda não venceu corridas e tem de encarar uma briga mais acirrada com a Red Bull, que evoluiu muito ao longo desta primeira metade de campeonato, além de já ter vencido duas vezez. Os italianos ainda ocupam a posição de vice-líderes do Mundial, mas a aproximação dos austríacos já preocupa - a diferença entre em 44 pontos entre os Construtores
 
"Temos um bom carro e que nos ajuda muito em reta, mas nos falta ainda um pouco de downforce, é uma questão de equilíbrio", disse o comandante ferrarista em entrevista à versão italiana do site 'Motorsport.com'. "Depois de algumas corridas, um aspecto ficou claro: precisamos de mais pressão aerodinâmica para fazer melhor uso dos pneus que temos nesta temporada."
Mattia Binotto assumiu a chefia da Ferrari neste ano (Foto: Twitter)
"Com base nos dados que temos agora e se eu pudesse voltar um ano no tempo, eu dedicaria mais atenção ao downforce. Mas acho que foi uma necessidade que só apareceu depois que a temporada começou", admitiu o dirigente.
 
Binotto também disse que não foi uma surpresa ver a Mercedes tão melhor logo de cara. "Confirmo que durante a primeira sessão dos testes em Barcelona nós parecemos muito competitivos, mas se lembrarmos bem, no último dia, Lewis Hamilton foi mais rápido. Com base nessas constatações, partimos para a Austrália sabendo que a Mercedes seria muito competitiva. Nós não chegamos a Austrália achando que estávamos à frente, mas acreditávamos que poderíamos lutar, só que não foi assim. Duas semanas depois, foi bom no Bahrein. Na verdade, nós vimos um equilíbrio que envolveu vários carros e até mesmo o carro que, sem dúvida, foi o melhor, mas até eles enfrentaram problemas em algumas pistas", disse.
 
"Vimos diferenças de pistas para pista, o que alterou a divisão de forças de acordo com o tipo de circuito, com as condições climáticas, com os pneus. Mas, na média, a Mercedes tem tido o melhor desempenho até agora. O nosso carro ainda não é rápido o suficiente. Em alguns circuitos ainda sofreremos mais que em outros, mas, sem dúvida, temos de melhorar o nosso ritmo", completou.
 
Chefe ferrarista até reconheceu que a escuderia perdeu oportunidades importantes, mas que segue na direção certa com relação ao desenvolvimento do carro. "Além da performance pura, que para nós jamais esteve à altura das expectativas, também perdemos algumas oportunidades e, certamente, se tivéssemos vencido, a imagem seria completamente diferente. Mas vejo um monoposto que está crescendo, e isso é um bom sinal, porque indica que estamos na direção certa, sabemos que não há nada de mágico na F1, você não pode resolver tudo de uma corrida para outra, mas é importante que temos uma direção de desenvolvimento, e esse é o aspecto mais positivo", explicou o italiano.
 
"No Bahrein, nós fomos mais rápidos. Na China, o desempenho geral não foi tão ruim e, em Baku, éramos claramente competitivos, então não acho que esperávamos aqueles resultados da Espanha. Sabíamos que os adversários levariam evoluções, mas, além desse aspecto, o nosso desempenho foi decepcionando e inesperado. E de certo modo, também desanimador, porque quando você se encontra em uma situação como essa, entende que a recuperação terá um longe caminho. Mas, mais uma vez, mesmo em um momento sombrio, a equipe se manteve focada e unida, e isso foi um aspecto fundamental. Olhando para o futuro, vejo um time que está realmente trabalhando muito, concentrado, unido e com fome de sucesso", concluiu.


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