‘Chá das 5’: Líder do dia, Mercedes tem em Silverstone primeiro teste real após polêmico treino secreto

Nico Rosberg foi o piloto mais rápido da sexta-feira, reforçando o bom desempenho da Mercedes para voltas lançadas. Esse será o primeiro grande desafio, no que diz respeito aos pneus, que o time vai enfrentar após o polêmico teste secreto realizado em maio, na Espanha


O primeiro lugar de Nico Rosberg no treino livre desta sexta-feira (28), aqui em Silverstone, mostra que a Mercedes deve brigar pela pole-position no GP da Inglaterra. Mas, mais uma vez, a capacidade do W04 lidar com os pneus Pirelli será colocada a prova no primeiro grande teste depois do treino secreto que o time realizou em maio no Circuito da Catalunha, na Espanha.

Desde que Rosberg e Hamilton dividiram o carro entre 15 e 17 de maio, em Barcelona, a Mercedes conseguiu desencantar na temporada 2013: o alemão venceu o GP de Mônaco, disputado no dia em que a polêmica veio à tona.

Não havia como deixar de relacionar os dois fatos. Mas os GPs de Mônaco e do Canadá não aconteceram em circuitos que causam grandes problemas para os compostos italianos, que sofrem mais com a atuação de forças laterais sobre eles. E mesmo assim a Mercedes enfrentou dificuldades em Montreal.

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Mas é aqui em Silverstone que ficará evidente se os germânicos conseguiram resolver o problema que já colocou seus pilotos em uma situação um tanto desfavorável na luta pelo título. Nesse ponto, a sexta-feira não foi lá muito favorável: a chuva da manhã limitou o tempo de pista e as equipes tiveram apenas a sessão da tarde para trabalhar nos carros. No final das contas, Rosberg e Hamilton completaram 69 voltas, menos do que habitualmente acontece às sextas-feiras.

Rosberg sorriu nesta quinta-feira em Silverstone, mas não tem certeza se vai sorrir no domingo (Foto: Getty Images)
“Em uma volta, o carro ainda está rápido. O ponto de interrogação é a corrida”, admitiu Nico no fim da tarde. “Pareceu decente até aqui, mas pode estar completamente diferente no domingo, bem mais quente”, afirmou.

Enquanto isso, Hamilton ainda não mostra muita confiança no carro. “Estou tendo um pouco de dificuldades com o equilíbrio”, revelou.
Diante disso, a Ferrari e, principalmente, a Red Bull, que completou o top-3 com Mark Webber e Sebastian Vettel, podem repetir o que aconteceu em outras três corridas neste ano: largar atrás da Mercedes, mas terminar na frente. Desde que começou a ditar o ritmo na F1, o time já venceu o GP da Inglaterra três vezes: o alemão ganhou em 2009 e o australiano, em 2010 e 2012.

Os carros projetados por Adrian Newey em Milton Keynes sempre foram capazes de se adaptar a traçados de vários tipos, mas se destacam em circuitos rápidos e com curvas de alta – como Silverstone.

A Ferrari entra na conta porque, apesar de não ter ido além de um modesto décimo lugar com Fernando Alonso nesta sexta, andou bem em pistas com as mesmas características de Silverstone em 2013: o espanhol venceu em Xangai e na Catalunha. Pensando em otimizar isso, os italianos ainda prepararam um pacote aerodinâmico especial.

Webber explicou que o foco das atividades da Red Bull hoje estava na corrida de domingo, nem tanto na classificação – o time sabe que, na F1 atual, o mais importante é ter um bom ritmo de corrida. Com exceção de Mônaco, largar na pole não é um passo tão grande assim para uma vitória como era com alguma frequência em décadas passadas.

Lendo os pensamentos de Webber: "Caramba, até que fez um tempo bom o Rosberg" (Foto: Getty Images)
Enquanto isso, a Lotus de Kimi Räikkönen não foi tão bem, mas também não se preocupou muito com o nono lugar de Romain Grosjean e o 13º do finlandês, terceiro colocado no Mundial de Pilotos. “Kimi não usou o pneu médio, ao passo que Romain o usou muito cedo na sessão, então estamos felizes que vamos ser mais competitivos do que fomos na última corrida”, explicou Alan Permane, diretor de operações de pista da escuderia.

Mas um que não teve um dia nada bom foi o brasileiro Felipe Massa, que bateu mais uma vez. Já havia batido duas vezes em Mônaco, bateu na classificação no Canadá e agora se envolve em um acidente – sozinho – pelo terceiro fim de semana consecutivo.

Massa estava usando o composto que a Pirelli trouxe à Inglaterra para avaliações. “Pista úmida, pneu superduro, que é duro demais, com um carro que não é fácil de aquecer os pneus, e aconteceu”, narrou o piloto, tentando justificar.

Não é nada positiva para a imagem dele essa sequência de acidentes. “Eu nunca fui um piloto de bater do jeito que aconteceu nessas últimas quatro corridas. Não tem porque isso continuar, e isso não vai me afetar de jeito nenhum”, reconheceu.

É bom mesmo que não afete, afinal, ele ainda tenta renovar seu contrato com a Ferrari para 2014 e, mesmo que Stefano Domenicali já tenha manifestado interesse em conservá-lo na escuderia, essa posição pode acabar mudando. Da mesma maneira que Massa mudou o cenário e mostrou aos dirigentes que merecia manter seu lugar. Mark Webber chegou a ser procurado, antes de anunciar que ficaria na Red Bull por mais um ano. E, no ano passado, a resposta de Massa começou justamente em Silverstone.

Acidente de Massa foi o quarto em três finais de semana (Foto: Getty Images)
 
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