Endurance

Toyota tem histórico de derrotas doídas em Le Mans, mas requintes de crueldade de 2016 conseguem superar

Não é a primeira vez que a Toyota vê uma vitória escapar por entre os dedos em Le Mans, só que nunca o destino lhe havia sido tão sádico

Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
A história da Toyota em Le Mans é de frustrações, mas o que o universo lhe aprontou no dia 19 de junho de 2016 entra para a história como uma das maiores maldades da história do automobilismo.
 
Sorte ou azar, competência ou incompetência. Discutir isso não vem ao caso. É, sempre foi, e sempre será, o aspecto humano que torna o esporte tão fascinante, e é o aspecto humano que faz a 84ª edição das 24 Horas de Le Mans ficar marcada para a posteridade.
 
A maldade não está na derrota em si: está no fato de que a Toyota acreditou que enfim enterraria no passado as doídas derrotas de anos anteriores. Acreditou para terminar da forma que terminou.
O capacete não é capaz de esconder o choro de Nakajima (Foto: Getty Images)

Em 1994, a marca liderava a corrida até uma hora e meia do fim, quando problemas de câmbio permitiram a vitória justamente da Porsche. Eddie Irvine, Mauro Martini e o saudoso Jeff Krosnoff ficaram com o segundo lugar, uma volta atrás.
 
1998 e 1999 voltaram a apresentar histórias com final triste para eles. Em um ano, o time fez a volta mais rápida; em outro, largou na pole. Em ambos, falhas mecânicas, acidentes e estouros de pneus comprometeram as chances de sucesso, e sempre se arrastando para os trechos finais. Ukyo Katayama Keiichi Tsuchiya e Toshio Suzuki perderam para a BMW em 1999, ficando com a segunda posição.
 
Então a montadora saiu do endurance, foi para a F1 e passou lá os anos 2000. Decidiu voltar para as corridas de longa duração em 2012, com a recriação do Mundial de Endurance, título que conquistou na temporada 2014 com todos os méritos. Só continua faltando a vitória em Le Mans…
 
Em 2012, o projeto estreou justamente em Sarthe, e prometendo muito: os carros eram rápidos e acompanhavam a Audi. Era para se pensar em pódio, mas um acidente espetacular com Anthony Davidson e uma falha mecânica no outro carro na fase final encerraram mais cedo as atividades.
Em 2014, a Toyota controlava a corrida quando o carro de Kazuki Nakajima quebrou no meio da madrugada (Foto: Getty Images)
Em uma edição cheia de dramas em 2014, o mesmo Kazuki Nakajima liderava a prova durante a madrugada quando uma pane elétrica o deixou literalmente no escuro. Todos os sensores do carro se apagaram, e não houve o que fizesse eles voltarem a funcionar. Ainda sem câmeras de TV em toda a pista em meio à imensidão da noite, nem se sabia direito aonde o japonês havia parado.
 
Deixá-los sonhar tanto com o primeiro lugar no último domingo foi uma brincadeira de mau gosto. Nesta quinta tentativa após o retorno à LMP1, já passava o filme de todos os outros fracassos pela cabeça dos membros da equipe. O dia enfim chegaria.
 
O dia ainda está por chegar.
 
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