Dentre as muitas mudanças planejadas para 2017 na F1, o
cockpit fechado ou parcialmente coberto é a novidade que mais vem gerando discussão. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) pretende aplicar o recurso com a intenção de ampliar a segurança da cabeça do piloto, como uma resposta depois dos acidentes fatais sofridos por
Justin Wilson, na Indy, e
Jules Bianchi, no GP do Japão, em 2014. E, nesta quarta-feira (2), a entidade usou a sua publicação 'Auto' para apresentar uma versão real da cobertura para os bólidos da principal categoria do automobilismo mundial.
A matéria da revista detalha os testes secretos conduzidos pela FIA e mostra que três desenhos diferentes foram avaliados. O primeiro diz respeito ao 'halo', que segue sendo a
“opção preferencial”, de acordo com a entidade máxima. O projeto original foi feito pela Mercedes.
Modelo estudado pela FIA como cobertura para os cockpits dos carros de F1 (Foto: Reprodução/FIA)
O modelo real, no entanto, parece bem diferente, algo mais semelhante a uma espécie de gaiola. Essa primeira versão foi testada ainda em 2012. A resistência do 'halo', assim como dos dois outros possíveis conceitos mostrados pela revista, foram testados usando um canhão de ar que disparou um pneu a 225 km/h, para simular os impactos detritos em alta velocidade.
Andy Mellor, pesquisador líder do projeto, disse à 'Auto' que a solução se comportou "extremamente bem" durante os testes, não importando o ângulo ou a altura da trajetória do pneu. Esse modelo de 'halo' foi feito em aço, mas Mellor disse que a FIA pretende usar materiais mais leves se optar mesmo por esse desenho.
As outras duas opções eram mais radicais. Uma delas envolvia três barras de aço longas e em curva sobre a cabeça do piloto, protegendo caso os detritos venham de cima, como aconteceu com Wilson na prova de Pocono. As barras, no entanto, precisam ser feitas de materiais mais leves e flexíveis, especialmente para absorver os fortes impactos.
Também é uma das principais preocupações a questão de que os detritos restantes possam ser arremessados em direção ao público, colocando os fãs em risco. A vantagem desse modelo é que a flexão pode ajudar a evitar esse tipo de acidente. Mas há duas desvantagens neste modelo: a opção pode tornar mais difícil o resgate do piloto de dentro do carro e também a probabilidade de interferir na visão do competidor é maior.
A solução encontrada pela Ferrari (Foto: Reprodução/Twitter)
Já a solução final estudada pela FIA é chamada de "proteção frontal adicional". Neste caso, são aletas curvas que protegem o cockpit. O recurso pode desviar objetos vindos diretamente contra o piloto, mas oferece pouca proteção contra impactos provenientes de qualquer outro ângulo, mas acrescenta o mínimo de obstrução à visão do piloto e não interfere na retirada do competir do carro.
Ainda de acordo com a publicação da FIA, a F1 está aparentemente pronta para deixar as equipes testarem seus próprios desenhos. A
Ferrari, inclusive, usou o início dos testes coletivos desta quinta-feira (3), para avaliar o recurso. Agora, para ser implantada, a cobertura do cockpit ainda depende da aprovação e da escolha de uma solução particular.
"Temos tentado acelerar este projeto nos últimos 12 meses, com o objetivo de ter algo que possamos aplicar nos carros da F1 em 2017", concluiu Laurent Mekies, diretor de segurança da FIA.
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