23 anos depois, Rosberg vira primeiro campeão vigente desde Prost a decidir encerrar carreira na F1

Foi como uma bomba que o mundo da F1 recebeu a notícia surpreendente da decisão tomada por Nico Rosberg, que se aposentou cinco dias depois de conquistar seu único título mundial, em Abu Dhabi. O impacto foi muito diferente do que aconteceu em 1993, quando Alain Prost deixou a Williams depois de dominar aquela temporada para dar lugar a Ayrton Senna no ano seguinte

 

O surpreendente anúncio do fim da carreira de Nico Rosberg na F1 pegou o mundo do esporte ‘de calças curtas’. Nico tomou a decisão na segunda-feira (28), um dia depois de conquistar o título mundial em Abu Dhabi. O alemão de 31 anos decidiu deixar o esporte para dedicar a maior parte do seu tempo à família, alegando que a pressão da F1 exerceu grande impacto. “Foi um esforço familiar completo de sacrifício, pondo tudo atrás do meu objetivo. Agora estou aqui só curtindo o momento”, salientou o alemão em anúncio feito nesta sexta-feira, momentos antes de receber o troféu de campeão mundial de F1.

 
É a primeira vez em 23 anos que um campeão vigente anuncia aposentadoria da F1. O último a fazê-lo, embora em condições bem distintas em relação a Rosberg, foi Alain Prost, em 1993. 
Nico Rosberg deu adeus à sua carreira como piloto do Mundial de F1 (Foto: AFP)
Naquela temporada, Prost venceu uma espécie de disputa com Ayrton Senna, seu arquirrival na F1, e conquistou a vaga mais cobiçada do grid, na Williams, dona do chamado ‘carro de outro planeta’. A equipe, que havia dominado a última temporada com Nigel Mansell, optou por não ficar com o ‘Leão’ depois da conquista do título mundial de 1992. Prost, que cumpriu um ano sabático depois de ter sido dispensado da Ferrari, foi contratado por Frank Williams e Patrick Head.
 
Prost era ‘o cara’ escolhido pela Williams para manter a supremacia na F1 naquele início dos anos 1990. Seu companheiro de equipe era o novato Damon Hill, que tinha no seu currículo apenas uma breve experiência como piloto da Brabham, que fora extinta. 
 
O ‘Professor’ tinha em suas mãos o poderoso FW15C empurrado pelo forte motor Renault e, ainda que tivesse amargado derrotas marcantes para Senna em GPs como os do Brasil e Europa — em Donington Park, da épica primeira volta do brasileiro —, o francês conquistou seu quarto título mundial por antecipação no GP de Portugal, no Estoril. Assim como Rosberg neste ano, Prost parava por cima.
Antes de Rosberg, Alain Prost foi o último campeão vigente a encerrar sua carreira na F1 (Foto: Forix)
Mas já se sabia que a vaga na Williams para 1994 era de Ayrton Senna. Prost saiu de cena da F1 como um dos maiores da história. O ‘Professor’ até esboçou um retorno às pistas e chegou a testar pela McLaren, mas acabou virando dono de equipe, a Prost, que fracassou no Mundial. Hoje, Prost é chefe de equipe da Renault e.dams, que hoje domina a F-E.
 
Além de Prost e Rosberg, a F1 traz outros pilotos que não correram mais na categoria depois de conquistarem o título mundial. Mike Hawthorn, campeão do mundo em 1958, havia decidido não defender seu título no ano seguinte. Em 1970, Jochen Rindt tornou-se o primeiro campeão póstumo da F1 depois de ter sofrido o gravíssimo acidente no GP da Itália daquele ano.
 
Em 1973, o tricampeão do mundo Jackie Stewart faturou seu último título mundial, mas não voltou a correr na F1 desde então. Mansell, em 1992, conquistou a taça, mas ficou de fora do campeonato em 1993, dispensado pela Williams. O ‘Leão’ seguiu para a Indy e fez história ao correr pela Newman-Haas e chegar ao título. Em 1994, o britânico foi chamado de volta pela Williams para acelerar o #2 que era de Ayrton Senna, chegando a vencer a última corrida daquele ano, o GP da Austrália. Mansell encerrou de forma melancólica sua carreira no GP da Espanha de 1995, correndo pela McLaren.
 
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